Transtorno Afetivo Bipolar

Quem Não Tem Padrinho, Morre Pagão – O Tratamento Com drogas Caras

Filed under: Artigos | 10/02/2008 (3:45 pm) |

Há duas formas de ver a Saúde no Brasil: no global e no individual. Cada caso é um caso.

No global, sabemos que o governo fornece algumas medicações gratuítas desde que você passe por toda a burocracia que ele exige. Desde se inscrever no Posto de Saúde perto de sua casa, esperar passar por um especialista que é uma das coisas mais difíceis que há e que pode demorar meses, preencher todas as qualificações para o uso da droga em questão e por fim, entrar no orçamento de recebimento do remédio. Uma vez inscrito, você de tempos em tempos pega seu remédio de graça e faz seu tratamento.

O processo é burocrático, chato, demorado, mas eu vi funcionar.

Porém, certos tratamentos mais modernos podem estar defasados. Por exemplo, vamos tomar o caso do Topiramato no tratamento do Transtorno de Humor Bipolar.

O SUS inclui o Topiramato em sua lista de medicações excepcionais, ou seja, você pode solicitar esse remédio gratuitamente e ter seu tratamento custeado pelo governo se passar pela burocracia que mencionei acima. Porém, o Topiramato é classificado como droga anti-convulsivante. E ainda não foi incluído como droga primária para o tratamento do transtorno bipolar pelos meio científicos, tendo sua indicação sendo ainda avaliada como estabilizador de humor.

Como o governo só inclui em sua lista de remédios cuja comprovação de uso já tenha sido feita pelas meios científicos, o topiramato pode só estar disponível para epiléticos, não para bipolares. (Quando eu trabalhava no SUS era só para epiléticos mesmo.)

Eu sei disso porque conversei na época pessoalmente com um dos responsáveis de Brasília do Ministério da Saúde e foi ele que me explicou o processo.

Assim, só tinha acesso gratuíto ao Topiramato quem tinha no atestado o CID de Epilepsia. Como também, só tinha acesso a Ziprazidona, um anti-psicótico de última geração, quem tinha o CID de Esquizofrenia. (Confira mesmo assim em seu Posto de Saúde. Isso muda o tempo todo. E os documentos que achei na internet hoje podem estar desatualizados.)

Por isso, o que conta no dia a dia, é a relação médico-paciente que se desenvolve no consultório. Tem que se pesar muito como tratar. Como escolher a medicação melhor no seu caso.

Eu conheço casos de pacientes que mantém tratamentos com drogas inacessíveis economicamente apenas por meio de amostras grátis fornecidas pelos seus médicos. Também foi só questão de conversar.

Tratamentos de doenças crônicas, qualquer uma, exige uma excelente relação médico-paciente. E é isso que se deve procurar em primeiro lugar: um bom médico. E vocês podem se surpreender pois existem bons médicos nos lugares mais incríveis!

(Publicado originalmente no Chá de Hortelã.)



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  • 2 Comments

    October 28, 2008 @ 11:22 pm #

    Puxa, comecei um tratamento pelo SUS recentemente… e não tinha noção dessa situação toda… A propria medica generalista já me indicou para estabilizador de humor(já diag. como transt. bipolar) o carmabezina e tiaridazina… algo assim.. Somente após um mes ela vai me encaminhar para um psicólogo e aí o psicólogo vai encaminhar para um psiquiatra, aí sim começo um tratamento para o TAB. Mas até aí eu sofro um pouco com as medicações prescristas somente pelos sintomas.. O ultimo q. ela me receitou foi o Rivotril 2mg… Só momentaneamente… acho q. vou tomar qdo realmente for necessário.. Pelo menos até chegar o tempo de conversar com o psiquiatra.. Bom pelo menos não preciso desenbolsar nada até agora…ops… o rivotril não tem no postinho.. este preciso comprar..
    Abraços, Franciele

    August 28, 2009 @ 2:20 pm #

    Em Florianópolis, o SUS me negou o fornecimento de topiramato, receitado por neurologista, por não se tratar de caso de epilepsia(ago/2009).

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