Transtorno Afetivo Bipolar

A Medicação Protege Mas Não Faz Milagre

Filed under: Artigos | 01/29/2009 (2:22 pm) |

Para termos saúde entram várias variáveis: nossa predisposição genética, nosso background social-familiar e nossa interação com o meio que nos cerca.

Tudo influi para nos mantermos bem.

Quem tem um transtorno como o Transtorno Bipolar fica mais vulnerável às variações do meio.

A medicação estabiliza o humor e as crises psicóticas e protege a pessoa de estresses tanto internos quanto externos. Ampliando assim a faixa de tolerância de stress que o paciente suporta.

Porém, a medicação é limitada. Quando o stress é muito grande, a pessoa pode entrar em crise mesmo medicada.

É como o diabético que usa uma certa dose de insulina e que exagera um dia nos doces. Aquela dose que ele estava acostumado não é suficiente para aquela quantidade de açúcar naquele dia em especial.

Então, temos vários mecanismos além da medicação para não se ter crises.

Um deles é se expor ao mínimo ao stress. Procurar evitar situações que se sabe que lhe farão mal.

Mas isso é impossível, fugir do stress para sempre.

A outra saída é reconhecer as situações que fazem mal e se fortalecer contra elas, através de psicoterapia. Por isso que é tão importante que o bipolar faça terapia: para criar mecanismos de defesa contra stress.

Porém, não se pode prever todas as situações de stress que se vai passar e eventualmente, pode-se entrar em crise.

E daí, o que se faz?

Se você perceber que não está bem, entre em contato com seu psiquiatra que ele ou ela vai lhe orientar na situação aguda.

Geralmente os bipolares já tem uma medicação para ser usada em emergências e já fazem uso delas quando em stress, além da medicação diária normal.

Bipolares em tratamento há muito tempo costumam saber como agir quando o stress ultrapassa sua capacidade de lidar com ele. Já sabem reconhecer quando tomar a medicação de “emergência”, e já sabem quando essa medicação de emergência não é suficiente e precisam entrar em contato com o psiquiatra.

Ser bipolar é um processo constante de auto-conhecimento, de se conhecer os próprios limites e expandí-los através do fortalecimento de sua estrutura psicológica.



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  • Aceitação

    Filed under: Depoimentos | 01/21/2009 (1:24 pm) |

    “Uma das coisas mais importantes que aprendi em minha terapia foi aceitar minha loucura.

    E não foi só aceitar com um simples “sim”. 

    Foi me acolher enquanto louca em crise. Gostar de mim mesmo nos meus piores momentos. Ser gentil comigo mesma. Aceitar a loucura vir, e observá-la de minha consciência naquele lugarzinho separado da minha cabeça e ainda assim gostar daquele “eu” descontrolado e doente.

    Vou exemplificar.

    Um dia estava viajando e paramos num posto de estrada para um lanche.

    Eu não estava bem. Estava agressiva, irritável, falante, encrenqueira. Mas não conseguia controlar nada e meu “eu” saudável estava deslocado para um canto da minha mente observando aquela mulher doente e descontrolada se comportar de um jeito que eu desaprovava completamente.

    Meu “eu consciente” conseguiu perceber que eu estava em crise em plena lanchonete de beira de estrada. E em vez de me desesperar, me recriminar, brigar comigo mesma, fiquei com pena daquela parte minha tão doente e imaginei me abraçando aquela parte tão frágil e desesperada.

    Enquanto eu implicava com meu acompanhante e me irritava com o atendende da lanchonete por nada, eu pensava que eu não estava bem e “abraçava a mim mesma”, me acolhia. Passava a mão em minha cabeça doente imaginária e me acalmava.

    Repetia para mim mesma que eu reconhecia que eu não estava bem e que tudo bem não estar bem. Era temporário, eram as circunstâncias e que logo eu estaria bem de novo. Garantia para mim mesma que eu não ia me recriminar ou opor resistência. Apenas fiquei me observando com calma e o  resultado da minha aceitação foi imediato: eu fiquei calma e parei de interagir negativamente com o ambiente. Pedi para meu acompanhante me levar de volta para o carro. E o resto da viagem fiquei contemplativa sentindo a agradável sensação do vento no meu rosto juntamente com a sensação de amor por mim mesma. Acolhimento.

    Quando entramos numa crise de qualquer natureza, seja maníaca, depressiva ou psicótica, parte de nós tende a não gostar de nós mesmos, de nos recriminar, de nos odiar. Isso piora a crise, nos estressa mais. E é justamente o que não precisamos. Precisamos sim de amor, carinho, aceitação, entendimento. E esse amor, carinho, aceitação e entendimento deve vir primeiramente e principalmente de nós para nós.

    A lição mais importante é aprender a nos amar mesmo nos piores momentos. Pois daí, esses piores momentos não serão mais tão ruins.

    Ame-se sempre. Aceite-se sempre!”



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  • Recomendação de Blog

    Filed under: Blogworld | 01/21/2009 (1:00 pm) |

    Gostaria de recomendar a todos o blog de DaniCast, MadTeaParty.

    Ela é uma mulher inteligente, sensível, corajosa e compartilha com seus leitores sua vida com o Transtorno Afetivo Bipolar.

    Muito esclarecedor.

    Dou meus parabéns para a Dani.



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  • Quando se está deprimido…

    Filed under: Artigos, Correspondências | 01/18/2009 (3:23 pm) |

    A grande diferença de quando você está deprimido para quando você não tem depressão é que quando você não tem depressão, você simplesmente quer fazer algo e faz.

    Quando se está deprimido você pensa quinhentas vezes antes de fazer qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, até a mais prosaica como ir buscar um copo de água ou escovar os dentes.

    Cada ação é pensada e avaliada se vale mesmo o esforço, porque é um esforço fazer qualquer coisa. E a conclusão geralmente é que não vale a pena fazer. E a gente acaba fazendo apenas o que somos obrigados por questões de vida ou morte praticamente.

    Quando não estamos deprimidos, de repente nos pegamos fazendo coisas, cada vez mais coisas. Nossa rotina fica mais rica. As ideias aparecem porque poderemos concretizá-las.

    Ninguém precisa viver em depressão. A depressão acontece em surtos e é tratável.

    Se seu episódio depressivo está demorando a passar cobre de seu psiquiatra uma melhora. Converse sobre a medicação, sobre estratégias de comportamento para ajudar porque elas são fundamentais também. Faça terapia e verifique se tem progressos na terapia. Porque tem que ter.

    Recebi um email que dizia que a pessoa estava em depressão há 4 anos e em tratamento. Inaceitável. Acredito que toda a estratégia de abordagem do caso tem que ser revista.

    Um deprimido crônico pode ter surtos dependendo dos estímulos do meio. Mas mesmo assim, deve ser feita toda uma prevenção desses surtos através do trabalho psicoterapeutico constante.



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  • Dúvida Como Agir. Meu diagnóstico está certo?

    Filed under: Correspondências | 01/05/2009 (4:14 pm) |

    Dra. Liliana, meu nome é J. , tenho 41 anos, separada com dois filhos pré adolescentes. Atualmente estou afastada do meu cargo na policia civil por fazer tratamento de esquizofrenia e depressão.   Ambas as doenças controladas por medicamentos, mas percebi que não consigo me encontrar mesmo assim.
    Faço planos, tenho ideias, e de repente tudo aquilo que imaginei, idealizei desaparece, como um sopro. fico sem chão. Faz tempo que percebi que tudo que começo não termino, e isso me entristece muito. Nem as amizades consigo manter, e já faz um bom tempo que me afastei das que tinha.  No incio, parece legal, me envolvo, depois tudo parece chato, sem sal, fico perdida e acabo perdendo contato com as pessoas. 
    Este ano, já inicie vários projetos, e num estálo desisto? perco a vontade. em uma de minhas internações conheci uma paciente que disse que sentia isso, e tratava com lítio, mas que parava com o tratamento sempre que subia o peso na balança. Disse que o medicamento a engordava muito, aumentava o seu apetite. 
    Dra. Liliana, pode ser o mesmo problema que o dela? 
    Estou preocupada, pois desde os 33 anos que apresentei problemas psiquiatricos, e agora mais esse. O pior que sinto que está aumentando as crises. Tento me controlar, evito amizades. E agora, quando sinto vontade de alguma coisa, me seguro, até que logo ela passa. Fico muito triste com isso tudo, mas não consigo mesmo me encontrar. Não quero mais tomar medicamentos, será que há possibilidade de controle se me manter assim evitando o que sei que não vai perdurar (amizades, projetos, sonhos, etc.). Dra. tem momentos que me sinto tão só, que penso em sumir, desaparecer, que não vou conseguir criar  meus filhos. Fora a necessidade de me restringir das pessoas, fico muito irritada, agressiva, comigo mesma. Sinto raiva de sentir tudo isso, e mais raiva ainda de não chegar a lugar nenhum. Oriente-me o que fazer. obrigada, J.

    Minha resposta ao email:

    Olá J.,

    Sinto muito por seu caso. Muito chato tudo isso, não?
    Eu não posso dar consultas pela internet mas tentarei te passar minha opinião.
    A primeira coisa que você precisa é ter um bom psiquiatra de confiança que faça o diagnóstico correto do que você tem.
    As doenças podem ser muito parecidas e serem mal diagnosticas. E o tratamento pode variar de uma para outra.
    Então, o primeiro passo é procurar ou conversar bem com o psiquiatra e ver esse diagnóstico.
    O segundo passo é fazer terapia.
    Toda pessoa que tem doença crônica de qualquer tipo necessita de uma ajuda externa para lidar com os problemas comportamentais do dia a dia e da própria doença. Tem sintomas que os remédios ajudam, mas tem outros que apenas com técnicas de terapia e resolvendo conflitos internos psicológicos é que melhoramos. Então, o segundo passo é ter um bom terapeuta para te acompanhar e dar esse suporte.
    Pelo que você escreveu, você não está segura nem convencida de seu diagnóstico ou tratamento. E eu acho que para o tratamento dar certo é preciso ter certeza disso e você merece um bom diagnóstico e acompanhamento.
    Um último conselho que recomendo é sempre procurar um médico clínico para fazer um check up geral, principalmente do perfil de hormônios porque as doenças psiquiátricas pioram com alterações hormonais e podem ser causa e consequência desses. E como você está piorando, vale a pena avaliar.
    Espero ter ajudado em algo visto que estou tão restrita.
    Boa sorte e tudo de bom,
    Liliana



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  • A Importância da Avaliação Clínica

    Filed under: Artigos | 01/05/2009 (2:48 pm) |

    Todo paciente portador de transtornos de ordem psiquiátrica estão mais dispostos a desenvolver outras patologias tanto por predisposição como por efeitos da própria terapêutica.

    Já foi bem evidenciada a relação de Síndrome Metabólica com com algumas drogas psiquiátricas e também de Diabetes Melitus.

    Outra ocorrência observada são as alterações hormonais.

    Lembrando que qualquer modificação do equilíbrio interno do organismo reflete na neuroquímica cerebral, é aconselhado se fazer check ups regulares para pesquisar outras alterações orgânicas que podem piorar o quadro psiquiátrico e até mesmo ser a própria causa dele.

    Um hipotireoidismo não diagnosticado pode se passar por uma Depressão, por exemplo. Uma insuficiência de cortisol pode levar a crises psicóticas. Alterações de humor podem ser apenas reflexos de alterações hormonais em glândulas insuficientes ou hiperfuncionantes.

    Existe sim um preconceito muito grande a respeito dos sintomas psiquiátricos. E muitas vezes se esquecem que eles são gerados por alterações físicas orgânicas do corpo a nível não só cerebral.

    Por isso, é necessário e imperativo um check up próprio e completo para se descartar toda e qualquer alteração orgânica não cerebral como origem dos sintomas psiquiátricos.

    Procure um clínico geral de confiança para essa pesquisa e um especialista se necessário.



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