Transtorno Afetivo Bipolar

Sobre Parâmetros

Filed under: Artigos | 02/21/2009 (2:04 pm) |

Uma das situações mais complicadas para o indivíduo com Transtorno Afetivo Bipolar é se dar conta se está equilibrado ou não.

Principalmente porque quando se está fora do equilíbrio, a percepção fica comprometida e o julgamento de sua própria situação pode ser bem difícil.

Uma forma eficiente é ter parâmetros externos que avisam quando se está saindo do equilíbrio. 

Parâmetros concretos que independem de julgamentos subjetivos. Dados concretos para se lidar, mensurar.

Um dado concreto e indiscutível são as horas de sono. Quanto tempo se passa dormindo.

Um aumento de horas de sono sugere depressão. Uma diminuição nas horas dormidas, sugere mania ou hipomania, por exemplo.

Outro parâmetro é o peso. Mudanças do humor geralmente vêm acompanhadas de alterações do apetite e por conseguinte, do peso. Assim, monitorar o peso é uma forma indireta de se ter idéia do humor.

Um parâmetro importante para os bipolares é a questão financeira. Aumento dos gastos, diminuição da renda, qualquer alteração da saúde financeira da pessoa geralmente é ligada com a oscilação do humor também.

Nem sempre os bipolares têm com quem contar para ter um feedback de sua situação. 

E é minha política a independência do indivíduo bipolar para que ele se conheça cada vez melhor para poder se cuidar e se tratar sem depender de terceiros.

Reconhecer sua própria situação e tomar atitudes saudáveis é fundamental para o rápido restabelecimento desse equilíbrio tão frágil mas possível.



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  • Antidepressivo para bipolar?

    Filed under: Artigos | 02/19/2009 (3:51 pm) |

    Li por aí textos dizendo que bipolares não podem tomar antidepressivos, que estes não funcionam ou fazem mal.

    Não é bem assim.

    Sabemos que o Transtorno Afetivo Bipolar é um desequilíbrio químico cerebral onde os neurotransmissores estão fora de balanço. Os antidepressivos acertam o equilíbrio de alguns neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina. Assim, se o paciente tem um desequilíbrio da serotonina, por exemplo,está indicado o uso de antidepressivo que corrige isso.

    O perigo é o bipolar entrar em mania, o inverso da depressão. Por isso que o uso de antidepressivos deve ser feito de forma tão cuidadosa, para não jogar o indivíduo no outro extremo do espectro de humor.

    Como toda medicação, o uso deve ser bem criterioso e bem indicado.



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  • Bipolar x Parkinson X Alzheimer

    Filed under: Correspondências | 02/12/2009 (7:26 pm) |

    “Boa noite, Liliana:
    Que bom que és blogueira! Não sei, se é tua área.
    Mas, qual a probabilidade de uma pessoa filho, de pais portadores de Mal de Parkinson e Alzeimmer, desenvolverem a doença?
    Li artigo sobre Transtorno Afetivo Bipolar? Têm sincronicidade?

    Abraços”

    Fiz uma pesquisa no Medscape.com com as variáveis : Bipolar X Parkinson X Alzheimer e não houve nenhum resultado.

    Assim, não posso dizer se um filho de portadores de Parkinson e Alzheimer têm mais chances de desenvolver Transtorno Bipolar.

    Porém, visto que já se sabe das origens genéticas das 3 patologias, filhos de bipolares têm mais chances de serem bipolares, filhos de parkinsonianos têm mais chances de desenvolverem parkinson e o mesmo se aplica a Alzheimer. Tudo depende se os filhos herdaram os genes dos pais.



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  • Esquizofrenia X Transtorno Afetivo Bipolar

    Filed under: Correspondências, Depoimentos | 02/09/2009 (12:20 pm) |

    Olá Liliana
    Sou adnirador do seu blog…
    Primeiro, qual a diferença entre Transtorno Bipolar e esquizofrenia?

    Tenho acompanhado através de leituras esse blog, .
    Fui casado durante 17 anos, ( desse casamento tivemos dois filhos, e o mais velho hoje com 26 anos tem transtorno bipolar ( ou escrizofrenia ) não sei o certo. Esse disturbio se apresentou quando ele tinha 18 anos e dai pra cá não tive mais paz.
    Para entender melhor, a minha Ex esposa abandonou o lar e viajou para outro estado, isso quando os filhos tinham 14 e 15 anos, (eu terminei de criar os filhos sozinho, ainda hoje moro com os dois filhos e uma auxiliar do lar) depois de muito tempo e pelo próprio histórico da familia dela percebemos que isso é uma doença hereditária, genetica.
    Desde a época da primeira crise até hoje, já foi internado umas 4 ou cinco vezes, no inicio começou tomando Holdol,, depois risperidona com rivotril pra dormir e hoje ele toma o Zyprexa( Remedio caro ) mas consigo pegar através de um programa do governo.
    Conforme relatos de pessoas de vários foruns que ando lendo pessoas com essas caracteristicas tem muitas dificuldades. Ele não consegue estudar, tenta mas não consegue ( eu fico com pena )… Já tentou a faculdade duas vezes mas no segundo semestre desiste…
    Sei também que se a pessoa tomar o medicamento diariamente pode ter uma vida normal, isso eu percebo quando ele toma o madicamento com regularidade.
    Ele tem um ponto positivo, é um rapaz que frequenta o centro espirita e gosta muito de ler alancardec, Hamatis e vários outros livros relacioado a espiritualidade…
    Sabemos que esse tipo de disturbio precisa ser tratato a parte física e a espiritual, e ele sabe disso também mas, por outro lado tem muita resistencia ao medicamento pois esse medicamento contribui muito para engordar, ele já aumentou mais de dez Kg.
    Alguem sabe, existe alguma forma de continuar tomando esse medicamento e evitar que engorde? existe alguma forma que evite engordar? pois quando ele passa alguns dias sem tomar o comportamento logo muda.
    Ele já me agrediu, e quando não toma O medicamento se torna uma pessoa agressiva….
    Eu já não aguento mais!!!
    Confesso que já tive vontade até de abreviar a minha Vida.
    essa semana 02/02/2009, foi necessário recolhe-lo em uma clinica psiquiatra, mas não aceita, diz que o colocamos lá com inveja dele, da sabedoria e dos poderes que ele tem..

    Grato
    Wilson[bb]

    Caro Wilson,

    Recomendo a leitura desse artigo sobre esquizofrenia.

    A tendência hoje é considerar tanto a esquizofrenia como o TAB numa mesma linha de transtornos psicóticos. A diferença fundamental é que o bipolar não perderia totalmente o contato com a realidade, isso falando grosseiramente.

    No caso do bipolar em mania, as patologias se parecem muito realmente. Vide os delírios de seu filho. E o tratamento é com praticamente os mesmos anti-psicóticos.

    Como você pode reparar, o tratamento costuma engordar. Esse é um dos efeitos colaterais indesejados e que deve ser levado em consideração a longo prazo.

    A curto prazo, em plena crise, primeiro se medica. Tira-se da crise e depois, para se achar a medicação de manutenção é que se deve levar em consideração o ganho de peso. Para isso existe uma variedade de opções de medicação e se escolhe a que tem melhor efeito psiquiátrico com menor efeito colateral indesejado. Mas isso requer tempo e experimentar medicações diferentes, o que demora e deve ser feito lentamente. O paciente deve ter muita paciência e entender que é por um período de tempo que ele ficará acima do peso. Depois, com a medicação correta e estabilizado, poderá perder os quilos extras. O apoio familiar para a aderência ao tratamento é fundamental. Devemos passar esperanças que ele vai ficar bem e que mesmo engordando no começo não deve parar a medicação.

    Porém, na minha opinião, não se deve ficar satisfeito com medicação que engorda a longo prazo na manutenção. Esse fator deve ser levado em conta ao se escolher os remédios de manutenção. O paciente deve ter a esperança e a certeza que vai emagrecer.

    Outro ponto importante que me chamou a atenção é que você mencionou que você já pensou em “abreviar sua vida”. Isso é muito sério. Isso parece depressão e sugiro que procure ajuda profissional para acompanhá-lo. Os parentes e amigos próximos de pacientes psiquiátricos sofrem pressões muito grandes e podem desenvolver transtornos também. Por favor, fale com um psiquiatra. Você não deve aguentar tudo sozinho.

    Boa sorte pra vocês!



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  • Preconceito no local de trabalho

    Filed under: Artigos, Correspondências, Depoimentos | 02/04/2009 (3:22 pm) |

    Seus artigos tem me ajudado bastante a entender meu transtorno,moro em
    Pernambuco e fui diagnosticada com transtorno esquizotípico,sou
    readaptada da rede pública de ensino do estado e do município do
    Jaboatão dos Guararapes, antes até os 30 anos vivia “normalmente”
    saindo,tendo uma gama de amigos.Em decorrencia de um fato que ocorreu
    na escola onde presenciei, grupo de extermínio assassinando
    ex-alunos,desencadeou ou vamos dizer que o meu transtorno ficou mais
    perceptível a minha familia, desde então eles cuidam de mim, minhas
    irmãs, meu cunhado me levou a um tratamento chamado hospital dia,onde
    os familiares,participam de todo o procedimento e isto nos ajuda
    muito,mas é só sair dalí para o trabalho onde eu assumo que tomo
    medicamento e tenho um transtorno mental, fico a pensar se é
    perseguição, ou, mania de perseguição,sei que todos me exclui de tudo,
    quero muito que vc escreva algo em relação a este tipo de tratamento e
    também quanto ao comportamento dos colegas no trabalho, porque minha
    vida social e sexual foi, e está sendo, há uns 15 anos totalmente nula
    o incrível é eu não sinto desejo sexual nenhum.Além de só trabalhar 1
    mês no máximo por ano por não suportar,as discriminações, o médico
    sempre me atestado médico de 3 meses.

    Em duas palavras: ele existe.

    Se você tirou licença médica para tratamento de alguma patologia psiquiátrica muito provavelmente, com quase toda certeza você vai se deparar com o preconceito de seus colegas de trabalho.

    Apenas quem já passou pela experiência, ou seja, quem já foi ou é paciente pode te entender. Do contrário, são raras as pessoas que têm desenvolvimento para tratar um paciente psiquiátrico como uma pessoa como qualquer outra.

    Por isso que se prefere não comentar nada a respeito de licenças, de diagnósticos, de nada. Por isso que a preferência é pela aposentadoria ou mesmo a demissão para mudar daquele ambiente que foi “contaminado” pelo preconceito.

    Ser vítima de preconceito não é privilégio apenas dos pacientes psiquiátricos. Pacientes com doença crônicas e câncer também sofrem igualmente.

    Como combater isso?

    Não se pode enfiar bom senso e inteligência na cabeço dos outros, mas se pode ter posturas de gente saudável quando estamos saudáveis.

    Se a licença acabou. Acabou. Você está apta a trabalhar deve esquecer sua patologia. Não assuma postura de “coitadinho”. Não se queixe nem se exponha para quem é apenas “colega de trabalho” e não vai te respeitar depois.

    No trabalho tem-se que ter postura a mais profissional possível. Mais que os outros.

    No trabalho: ser profissional.

    Se não está se sentindo bem para trabalhar: não trabalhe.

    Só apareça para os outros no seu melhor. E talvez eles esqueçam que você tirou aquela licença…



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