“Olá:
Há bastante tempo entrei neste “SITE” e obtive resposta.
Procurei ajuda médica e comecei um tratamento para o Trasntorno Bipolar.
Tenho 47 anos, depois de começar o tratamento retornei ao trabalho. Tomei medicamentos e melhorei bastante, porém meu marido(agora estamos nos separando) tem um temperamento bastante difícil, é muito avarento chegando ao ponte de não concordar com os médicos e aos poucos, abstendo-se de comprar remédios pois eu estava “bem”, eu por minha vez, ficando cada dia mais triste e deprimida(???) acabei que parei outra vez de trabalhar.
Nossos filhos já são crescidos – 25/14 e 20 anos, o mais velho mora fora, o do meio por não concordar com as atitudes do pai resolveu morar com minha mãe e a mais nova permanece em casa, pois está cursando a Faculdade e se ela sair de lá, é capaz dele parar de pagar os estudos dela. Fico impotente diante de tdo, não consigo ter uma linha de reciocínio que me permita sentir melhor. Para que ilustre melhor a minha situação diante do casamento falo como é o comportamento deste que está quase sendo o EX-MARIDO: Ele, ao longo dos anos foi perdendo hábitos de higiene, principalmente o banho, coisa que ele só faz 1 ou 2 vezes por semana, faça o calor que fizer; não vai ao dentista e com isto seus dentes estão horríveis, um deles caiu e ele teve a capacidade de fazer um jeitinho com DUREPOX e colocou no lugar, só depois de muiia insistência minha e dos filhos é que ele procurou um dentista bem baratinho que fez um provisório e muito mal feito, com isso ele tem um hálito horrorozo.
Além de ter ficado 1 anio se cortar o cabelo, ele tb não compra suas roupas, que são velhas e manchadas… Eu me cuidei, me tratei e enquanto trabalhei adquiria minhas coisas e tb para os meus filhos. No final de janeiro, estando em crise de depressão, me sentindo incapaz de qq coisa, resolvi sair de casa, pois não ví outra saída! No momento estou na casa de minha irmã; tomei todas as providências legais para que ele saia do apto, pois o mesmo é de propriedade dos meus filhos e eu quem tenho o direito de estar lá.
Enfim… Diante disso, ele se coloca de maneira irredutível, que não vai sair e sabe que sou doente(palavras dele) e quer ver até onde eu aguento! Deixou de comprar todos os remédios, inclusive o mais importante que é o que controla meus batimentos cardíacos… É claro que não estou sem medicamento para a pressão e tb para a arritimía, porém estou sem ter como ir até um psiquiatra e deste modo, cada dia faço menos coisas… Não saio de casa pq tenho muito medo de passar mal, tenho alterações de raiva e tristeza várias vezes ao dia. Tenho o diagnóstico médico tanto de um psiquiatra qto de um neurologista, porém não tenho recursos financeiros, no momento para ter consultas e poder ter o medicamento adequado. Fiquei somente com o ALPRAZOLAN, que me deixa mais deprimida…
Existe alguma alternativa para que eu possa me sentir melhor e tenha forças para resistir ao tempo lento da Justiça????? Estou quase em desespero e começando com aqueles pensamentos mórbidos, que aprendi a perceber… Penso em tomar muitos comprimidos ou simplesmente parar completamente com os tratamentos e ver se “morro”! Pq a vontade é essa, mas derrepente eu penso que não…. Estou com muito medo de perder esta lucidez que já está fugindo cada vez mais…
Já deixei até escrito em minha agenda, que se alguma coisa terrível me acontecer, 80% é culpa dele!
Leio todos os e-mail’s que me são passados e só hoje, depois de ter tomado meus remédios é que tive coragem de vir até aqui e literalmente pedir ajuda.
Não consigo sair de casa para nada! Passo a maior parte do meu tempo dormindo ou então calada pensando várias coisas sem que me façam sentido.
Tb não sei como terminar… Peço ajuda se houver qq anti-depressivo que eu possa ter acesso, será que existe algum alternativo que não necessite de receita???
Como li em uma resposta à outra pessoa: Em 1º lugar está o MEU bem estar e é o que estou tentando fazer saindo de um casamento de 25 anos e que era uma relação doentia….
Muito obrigada”
Minha Cara,
Sinto muito pela situação terrível que você está.
Realmente é um desgaste enorme participar de disputas judiciais deste tipo. E o pior é que não dependem da gente. Dependem de terceiros e só podemos ficar aguardando.
Assim, vamos focar no que podemos fazer: cuidar de nossas próprias vidas.
Você tem um diagnóstico de uma doença grave que precisa ser tratada e tem que tomar medicação. Se não tem dinheiro para pagar um psiquiatra, precisa procurar atendimento público ou em hospitais-escolas que fornecem atendimento gratuito.
Você deve desvincular seu tratamento e sua saúde de seu marido. Uma coisa não tem a ver com a outra.
O SUS também fornece medicação gratuitamente.
Dá trabalho? Dá. É chato? Tem filas? Sim. Mas uma vez inserida no esquema do SUS seu tratamento está garantido. O mesmo se aplica a hospitais-escola.
Sugiro procurar o Posto de Saúde mais perto de sua casa e se matricular lá. E solicitar uma consulta com o psiquiatra. E o clínico geral.
Retome sua independência e não se coloque a mercê de ninguém. Isso fará bem a você.
Foque-se em ficar boa, retomar seu tratamento e voltar a trabalhar. Você consegue.
Boa sorte,
Liliana