Intercorrências Agudas em Doenças Crônicas
Eu sempre falo para meus pacientes que a medicação para a patologia crônica vai protegê-los numa faixa de atuação limitada de normalidade de situações.
Isso vale para o epilético e seu anticonvulsivante, o hipertenso e a medicação antihipertensiva, o diabético e seus hipoglicemiantes e por aí vai.
No caso do bipolar, a premissa também vale: a pessoa pode estar equilibrada com uma certa medicação que a “protege” na maior parte das ocorrências do dia a dia mas, no caso de um fato extraordinário, a medicação pode vir a ser insuficiente.
Um exemplo é o caso da febre.
Todos os pacientes crônicos podem descompensar na vigência de infecções e febre. O corpo está todo alterado combatendo a infecção, o metabolismo está alterado, toda a química cerebral e do organismo como um todo está trabalhando diferente, sob stress.
Assim, da mesma forma que um diabético pode ter sua glicemia aumentada durante uma infecção, o bipolar pode se ver deprimido, ou maníaco ou com seu componente psicótico ativado. Ou seja, a intercorrência aguda precipita a crise da doença de base.
Então, o que fazer?
Primeiro ter consciência que isso pode acontecer. É fundamental saber que em determinadas situações sua doença de base pode se manifestar mesmo estando ela muito bem controlada.
Segundo, tratar tanto a intercorrência que levou a crise como a crise em si. Sabendo que se trata não de uma descompensação por falha no tratamento original, e sim por somatória de fatores novos e passageiros.
Terceiro, manter contato com seu médico enquanto a crise durar para que se possa voltar à normalidade o mais rápido possível.
Muitos pacientes não se dão conta que estão descompensados na vigência de outras intercorrências que os estressa e confundem os sintomas de sua patologia de base com a própria intercorrência. Sabendo qual sintoma corresponde a qual patologia, pode-se lidar melhor com eles.

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