Transtorno Afetivo Bipolar

Para os que convivem com um Bipolar

Filed under: Artigos | 07/19/2009 (3:42 pm) |

Recebo muitos emails e mensagens de gente querendo saber como se comportar com seu parente, namorado(a), marido/esposa, amigo(a) que é bipolar.

Eu digo que depende da fase que o bipolar está.

Tem episódios que o bipolar está tão desequilibrado (digo desequilibrado em termos de química cerebral) que ele mesmo não tem consciência de como está se comportando. Tanto faz se está deprimido, psicótico, maníaco. A pessoa pode estar tão fora do equilíbrio que não consegue tomar nenhuma atitude positiva para com ela mesma e pode magoar e ferir os que estão perto. Nessa hora, o doente, na minha opinião, não tem querer. É preciso uma pessoa forte e determinada para tomar a frente do tratamento do bipolar. Levar ao médico, dar a medicação, colocar limites, cobrar resultados. O doente nessa situação está totalmente a mercê do outro que vai trabalhar para seu restabelecimento. E o bipolar nessa hora deve se entregar e confiar. Por isso que é tão importane estar cercado de gente legal e que quer seu bem. Comparando com o diabético, seria a hora que o diabético entra em coma. A pessoa que convive com o bipolar deve saber reconhecer essa fase e tomar as atitudes certas, e não levar as possíveis agressões para o lado pessoal, é a doença falando.

O que eu percebo é que muita gente abandona o bipolar justamente na hora em que ele mais precisa de ajuda e na hora em que ele não está senhor do que está fazendo.

A outra fase que eu reconheço são os pequenos desequilíbrios secundários a alguns estímulos extraordinários no dia a dia. O bipolar descompensa mas não chega a se perder totalmente. Geralmente existe medicação para horas como essa, de emergência e passageira e quem está perto precisa ter um pouco mais de paciência e reconhecer a descompensação e ajudar ao retorno do equilibrio. Isso não quer dizer que o bipolar não fique triste ou muito alegre como as outras pessoas, mas ele tem facilidade de descompensar e seu comportamento descompensado é bem diferente de seu comportamento quando em equilíbrio. Novamente, digo que muita gente falha em reconhecer esse desequilíbrio e não entende que é um sintoma, como se tivesse subido a glicemia no sangue do diabético depois de uma refeição especial.

Então, a dúvida que se coloca é: quando é a doença falando e quando é a pessoa? Se surgiu a dúvida, deve-se entrar em contato com o médico. Para sabermos se é um desequilíbrio, devemos analisar as circunstâncias nas quais ocorreu o comportamento. E constatando-se que foi numa situação anormal, as chances de ser um sintoma de descompensação são grandes. E o bipolar precisa de ajuda.

A terceira fase do bipolar é quando ele está equilibrado, em harmonia. É nessa hora que as pessoas esquecem que ele pode descompensar dependendo do estímulo, porque ninguém tem a palavra “bipolar” tatuada na testa. O bipolar em equilíbrio não difere de mais ninguém.

A grande questão para quem convive com um bipolar é se você está disposto a conviver com alguém com uma doença crônica que pode descompensar de vez em quando. Tem gente que prefere esquecer da condição do bipolar assim como não quer ver que aquela outra pessoa é diabética e tem que fazer dieta para o resto da vida.

Um tempo atrás soube de um caso de uma paciente cuja amiga falou: eu não te procurei mais porque você estava chata. No que a paciente respondeu: eu estava chata porque estava doente e era nessa hora que você deveria ter reconhecido que eu não estava bem e me ajudado.

Enfim, tem gente que só consegue se relacionar superficialmente com outras pessoas, apenas quando elas estão bem de saúde. Você deve saber seu limite e ver até que ponto quer se envolver com alguém doente.



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  • 1 Comment »

    September 7, 2009 @ 4:48 am #

    é…essa penultima estrofe caracterizou bem minha situaçao…ninguém nunca repara em mim…nos meus comportamentos…e eu nao tenho força pra procurar ajuda profssional…enquanto isso vou vivendo aqui dentro de minha rotineira confusão.

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