Transtorno Afetivo Bipolar

Pode não ser crise.

Filed under: Artigos | 03/28/2010 (12:47 pm) |

Pacientes psiquiátricos em geral sofrem muito preconceito. É um fato.

E quando se sentem mal, a primeira coisa que imagina é que a doença descompensou.

Infelizmente vejo que muitos médicos também compartilham de preconceito: se o paciente está reclamando de algo, é o distúrbio psiquiátrico falando.

Algumas vezes é de fato uma descompensação do distúribio, que pode causar inúmeros sintomas diferentes. Lembremos que a neuroquímica cerebral controla o corpo todo e que um desbalanço nessa neuroquímica pode afetar qualquer economia do corpo dando sintomas não só mentais.

Porém, pacientes psiquiátricos também ficam doentes de outras coisas e muitas vezes não conseguem ajuda porque suas queixas não são levadas a sério.

Quando se passa em um médico ou se vai fazer exames, sempre perguntam que medicações você está tomando. E é só começar a desfilar a lista de remédios para TAB que a cara do interlocutor muda.

Infelizmente não se deve omitir o uso e diagnóstico para o profissional de saúde. E daí fica-se exposto ao preconceito.

Num mundo ideal, se poderia discutir normalmente o uso de medicação psiquiátrica como se fala de uso de anti-hipertensivo ou insulina.

É muito difícil achar um profissional isento que olha o paciente bipolar como um ser humano normal e então possibilita o diagnóstico de outros males.

Procurem médicos assim.

Escutem seus psiquiatras mas se estiver se sentindo mal, também procure outras especialidades médicas. Nem tudo que o bipolar sente é crise.



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  • Esforço Físico Pode Desencadear Crise

    Filed under: Artigos | 09/08/2009 (4:19 pm) |

    Já expliquei anteriormente que o bipolar equilibrado não está livre de crises mesmo tomando sua medicação corretamente.

    Para se manter no equilíbrio é necessário manter um a certa rotina de estímulos. Nem muito lá, nem muito cá.

    O que faz o bipolar ficar vulnerável a crises são as coisas extraordinárias que ultrapassam a faixa de atuação da medicação e de seu psiquismo.

    Aí, qualquer estímulo vale, inclusive um esforço físico fora do comum.

    Ficar muito cansado, Passar muito calor. Suar demais… Tudo isso altera o equilíbrio orgânico e mental exigindo respostas de adaptação que muitas vezes não estão disponíveis.

    Então, depois de um esforço físico extenuante o bipolar pode entrar em depressão se já estava pendendo para este lado, ou ficar excitado demais com a movimentação e entrar em mania.

    É importante reconhecer quando isso ocorre para saber que a causa da crise foi o esforço físico e não se deixar dominar pelos pensamentos e sensações da crise como se fossem primários.

    Bipolares assim como qualquer pessoa devem fazer atividades físicas, mas todos devem começar aos poucos se condicionando no decorrer do tempo.



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  • Na Crise

    Filed under: Artigos | 08/01/2009 (3:30 pm) |

    Todo mundo tem dor de barriga ou fica gripado um dia.

    É só comer algo que fez mal ou entrar em contato com algum vírus.

    O bipolar tem crises.

    Geralmente causadas por um estressor, a “comida que fez mal” ou o “vírus da gripe”.

    Então, você vai levando sua vida e de repente acontece algo que te tira do seu equilíbrio e uma crise acontece. Pode ser crise de mania, hipomania ou depressão. Você fica fora do seu normal. Sente-se doente.

    Muitos dos bipolares demoram a perceber que estão em crise. Esse é o perigo porque é a hora que ficam vulneráveis a muitas coisas ruins.

    Então é preciso ficar esperto e se reconhecer: opa! Não estou bem.

    Uma vez reconhecida a crise, tem que ir atrás do tratamento dela. O tratamento varia de acordo com o tipo de crise e o psiquiatra tem papel fundamental nessa hora.

    E daí é tratar. Como se trata uma gripe, uma dor de barriga: sabendo que ela vai passar. Que vai voltar a ficar tudo bem.

    Eu percebo que tem pacientes que se recusam a aceitar o acontecimento de crises episódicas. Que não aceitam que vão ter crises e que na vigência dela, tem que se comportar como numa situação especial.

    Não dá para ter vida normal enquanto estamos com febre de 38 graus. Tem que descansar, tem que se alimentar bem, tem que se poupar, tem que tomar medicação.

    A grande briga é não se aceitar bipolar e por conseguinte propício a ter crises de vez em quando.

    Ser bipolar e apresentar descompensações deveria ser algo já aceito e com mecanismos de lidar com elas.

    Brigar com o Transtorno Bipolar em vez de conhecê-lo e ser prático nas suas manifestações faz a crise ser muito pior do que é.

    O grande segredo da doença é aceitá-la e saber lidar com ela. Gostar de si mesmo acima de tudo e em qualquer fase dela. Cuidar-se bem.

    A crise passa.

    Trate-se bem durante a crise. Cuide-se como se estivesse com uma febre alta. As pessoas respeitam seus corpos durante uma infecção. Ficam de cama, descansam, se alimentam melhor, se hidratam. Por que ser diferente durante uma crise do transtorno?

    Ninguém fica com raiva de si mesmo porque pegou uma infecção. E não deve ficar com raiva de si porque o Transtorno Bipolar descompensou.

    Como falei, geralmente as crises são disparadas por um estressor. Seria o vírus da infecção. Cabe a pessoa, com ajuda de terapia ou não, descobrir qual foi esse estressor e aprender a se defender desse vírus para não ter nova crise pela mesma razão.

    Cada crise de um bipolar significa uma grande oportunidade para se conhecer melhor, conhecer o meio que o cerca, reavaliar a vida, seu comportamento, suas relações e daí, fazer as mudanças necessárias para que o fator estressor não ocorra mais, ou se ocorrer, estar fortalecido para lidar com ele.



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  • Para os que convivem com um Bipolar

    Filed under: Artigos | 07/19/2009 (3:42 pm) |

    Recebo muitos emails e mensagens de gente querendo saber como se comportar com seu parente, namorado(a), marido/esposa, amigo(a) que é bipolar.

    Eu digo que depende da fase que o bipolar está.

    Tem episódios que o bipolar está tão desequilibrado (digo desequilibrado em termos de química cerebral) que ele mesmo não tem consciência de como está se comportando. Tanto faz se está deprimido, psicótico, maníaco. A pessoa pode estar tão fora do equilíbrio que não consegue tomar nenhuma atitude positiva para com ela mesma e pode magoar e ferir os que estão perto. Nessa hora, o doente, na minha opinião, não tem querer. É preciso uma pessoa forte e determinada para tomar a frente do tratamento do bipolar. Levar ao médico, dar a medicação, colocar limites, cobrar resultados. O doente nessa situação está totalmente a mercê do outro que vai trabalhar para seu restabelecimento. E o bipolar nessa hora deve se entregar e confiar. Por isso que é tão importane estar cercado de gente legal e que quer seu bem. Comparando com o diabético, seria a hora que o diabético entra em coma. A pessoa que convive com o bipolar deve saber reconhecer essa fase e tomar as atitudes certas, e não levar as possíveis agressões para o lado pessoal, é a doença falando.

    O que eu percebo é que muita gente abandona o bipolar justamente na hora em que ele mais precisa de ajuda e na hora em que ele não está senhor do que está fazendo.

    A outra fase que eu reconheço são os pequenos desequilíbrios secundários a alguns estímulos extraordinários no dia a dia. O bipolar descompensa mas não chega a se perder totalmente. Geralmente existe medicação para horas como essa, de emergência e passageira e quem está perto precisa ter um pouco mais de paciência e reconhecer a descompensação e ajudar ao retorno do equilibrio. Isso não quer dizer que o bipolar não fique triste ou muito alegre como as outras pessoas, mas ele tem facilidade de descompensar e seu comportamento descompensado é bem diferente de seu comportamento quando em equilíbrio. Novamente, digo que muita gente falha em reconhecer esse desequilíbrio e não entende que é um sintoma, como se tivesse subido a glicemia no sangue do diabético depois de uma refeição especial.

    Então, a dúvida que se coloca é: quando é a doença falando e quando é a pessoa? Se surgiu a dúvida, deve-se entrar em contato com o médico. Para sabermos se é um desequilíbrio, devemos analisar as circunstâncias nas quais ocorreu o comportamento. E constatando-se que foi numa situação anormal, as chances de ser um sintoma de descompensação são grandes. E o bipolar precisa de ajuda.

    A terceira fase do bipolar é quando ele está equilibrado, em harmonia. É nessa hora que as pessoas esquecem que ele pode descompensar dependendo do estímulo, porque ninguém tem a palavra “bipolar” tatuada na testa. O bipolar em equilíbrio não difere de mais ninguém.

    A grande questão para quem convive com um bipolar é se você está disposto a conviver com alguém com uma doença crônica que pode descompensar de vez em quando. Tem gente que prefere esquecer da condição do bipolar assim como não quer ver que aquela outra pessoa é diabética e tem que fazer dieta para o resto da vida.

    Um tempo atrás soube de um caso de uma paciente cuja amiga falou: eu não te procurei mais porque você estava chata. No que a paciente respondeu: eu estava chata porque estava doente e era nessa hora que você deveria ter reconhecido que eu não estava bem e me ajudado.

    Enfim, tem gente que só consegue se relacionar superficialmente com outras pessoas, apenas quando elas estão bem de saúde. Você deve saber seu limite e ver até que ponto quer se envolver com alguém doente.



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  • Intercorrências Agudas em Doenças Crônicas

    Filed under: Artigos | 07/07/2009 (3:13 pm) |

    Eu sempre falo para meus pacientes que a medicação para a patologia crônica vai protegê-los numa faixa de atuação limitada de normalidade de situações.

    Isso vale para o epilético e seu anticonvulsivante, o hipertenso e a medicação antihipertensiva, o diabético e seus hipoglicemiantes e por aí vai.

    No caso do bipolar, a premissa também vale: a pessoa pode estar equilibrada com uma certa medicação que a “protege” na maior parte das ocorrências do dia a dia mas, no caso de um fato extraordinário, a medicação pode vir a ser insuficiente.

    Um exemplo é o caso da febre.

    Todos os pacientes crônicos podem descompensar na vigência de infecções e febre. O corpo está todo alterado combatendo a infecção, o metabolismo está alterado, toda a química cerebral e do organismo como um todo está trabalhando diferente, sob stress.

    Assim, da mesma forma que um diabético pode ter sua glicemia aumentada durante uma infecção, o bipolar pode se ver deprimido, ou maníaco ou com seu componente psicótico ativado. Ou seja, a intercorrência aguda precipita a crise da doença de base.

    Então, o que fazer?

    Primeiro ter consciência que isso pode acontecer. É fundamental saber que em determinadas situações sua doença de base pode se manifestar mesmo estando ela muito bem controlada.

    Segundo, tratar tanto a intercorrência que levou a crise como a crise em si. Sabendo que se trata não de uma descompensação por falha no tratamento original, e sim por somatória de fatores novos e passageiros.

    Terceiro, manter contato com seu médico enquanto a crise durar para que se possa voltar à normalidade o mais rápido possível.

    Muitos pacientes não se dão conta que estão descompensados na vigência de outras intercorrências que os estressa e confundem os sintomas de sua patologia de base com a própria intercorrência. Sabendo qual sintoma corresponde a qual patologia, pode-se lidar melhor com eles.



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  • Esperança

    Filed under: Artigos | 06/23/2009 (4:06 pm) |

    Recebo muitos emails e comentários sobre pessoas muito desestimuladas com seus tratamentos ou de parentes e pessoas próximas.

    Ter um diagnóstico de uma doença crônica não é fácil. É uma sentença de luta pela vida toda com altos e baixos, cuidados especiais que não se teria se não tivesse a doença. Isso vale para qualquer doença crônica, diabetes, hipertensão arterial, transtorno bipolar, depressão, insuficiência coronariana, etc..

    Hoje em dia a medicina já dispõe de meios para controlar muitas patologias e permitir uma vida produtiva e com boa qualidade.

    Os tratamento envolvem muitas vezes medicações de longo prazo, controles rígidos, visitas ao médico, envolvimento de outros profissionais como terapeutas, nutricionistas.

    Mas o tratamento bem sucedido depende primariamente do paciente e de seu empenho em ficar melhor.

    Todos os profissionais envolvidos e as pessoas acompanhantes próximas por mais que queiram o sucesso e o bem estar do indivíduo são limitados.

    Enquanto o paciente não se conscientizar que depende dele a aderência ao tratamento e o feedback aos profissionais, ninguém poderá fazer o tratamento por ele.

    Os pacientes costumam se frustrar com os resultados e aí podemos ajudá-los: estimular a aderência ao tratamento explicando que ele pode sim ter uma vida melhor. Pode demorar um tempo, pode ser trabalhoso, pode requerer revisões na estratégia adotada, mas a pessoa pode ficar bem sim dentro dos limites de sua condição.



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  • A Escolha

    Filed under: Artigos | 03/18/2009 (2:55 pm) |

    Ser bipolar não é fácil. Envolve muito sofrimento. Porém, quando a pessoa vai para o polo da mania, da euforia, o bem estar e a sensação de que tudo está ótimo e que a vida é maravilhosa e que ele consegue fazer tudo e que tudo vai dar certo muitas vezes compensam os períodos de depressão.

    Ou seja, tem bipolar que não quer abrir mão da sensação de bem estar da euforia, da mania ou da hipomania.

    Quando um bipolar se sente “bem”, no polo da mania, se sente muito bem mesmo. E o tratamento implica em parar de experimentar essa sensação falsa de bem estar. O indivíduo passa a ser uma “pessoa normal”, sem as características “especiais” que ele sente possuir.

    O preço do equilíbrio é enfrentar a realidade de si mesmo.

    Por isso a terapia é tão importante. Para ajudar a contextualizar a pessoa na realidade.

    Embora a depressão seja o quadro mais frequente do Transtorno Bipolar, a mania ou a hipomania podem atrair pacientes a não se tratarem.

    A grande escolha que o paciente tem que fazer é: vou abrir mão da falsa sensação de bem estar que eu tenho de vez em quando por sensações reais de bem estar que serão frutos de meus esforços?

    Uma vida de ilusão e doença por uma vida real e equilibrada.

    Eu já adianto que vale a pena abrir mão da mania e da hipomania. O equilíbrio conquistado e seus resultados concretos são recompensas reais que fazem muito bem para a pessoa em todos os níveis.



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  • Sobre Parâmetros

    Filed under: Artigos | 02/21/2009 (2:04 pm) |

    Uma das situações mais complicadas para o indivíduo com Transtorno Afetivo Bipolar é se dar conta se está equilibrado ou não.

    Principalmente porque quando se está fora do equilíbrio, a percepção fica comprometida e o julgamento de sua própria situação pode ser bem difícil.

    Uma forma eficiente é ter parâmetros externos que avisam quando se está saindo do equilíbrio. 

    Parâmetros concretos que independem de julgamentos subjetivos. Dados concretos para se lidar, mensurar.

    Um dado concreto e indiscutível são as horas de sono. Quanto tempo se passa dormindo.

    Um aumento de horas de sono sugere depressão. Uma diminuição nas horas dormidas, sugere mania ou hipomania, por exemplo.

    Outro parâmetro é o peso. Mudanças do humor geralmente vêm acompanhadas de alterações do apetite e por conseguinte, do peso. Assim, monitorar o peso é uma forma indireta de se ter idéia do humor.

    Um parâmetro importante para os bipolares é a questão financeira. Aumento dos gastos, diminuição da renda, qualquer alteração da saúde financeira da pessoa geralmente é ligada com a oscilação do humor também.

    Nem sempre os bipolares têm com quem contar para ter um feedback de sua situação. 

    E é minha política a independência do indivíduo bipolar para que ele se conheça cada vez melhor para poder se cuidar e se tratar sem depender de terceiros.

    Reconhecer sua própria situação e tomar atitudes saudáveis é fundamental para o rápido restabelecimento desse equilíbrio tão frágil mas possível.



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  • Antidepressivo para bipolar?

    Filed under: Artigos | 02/19/2009 (3:51 pm) |

    Li por aí textos dizendo que bipolares não podem tomar antidepressivos, que estes não funcionam ou fazem mal.

    Não é bem assim.

    Sabemos que o Transtorno Afetivo Bipolar é um desequilíbrio químico cerebral onde os neurotransmissores estão fora de balanço. Os antidepressivos acertam o equilíbrio de alguns neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina. Assim, se o paciente tem um desequilíbrio da serotonina, por exemplo,está indicado o uso de antidepressivo que corrige isso.

    O perigo é o bipolar entrar em mania, o inverso da depressão. Por isso que o uso de antidepressivos deve ser feito de forma tão cuidadosa, para não jogar o indivíduo no outro extremo do espectro de humor.

    Como toda medicação, o uso deve ser bem criterioso e bem indicado.



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  • Preconceito no local de trabalho

    Filed under: Artigos, Correspondências, Depoimentos | 02/04/2009 (3:22 pm) |

    Seus artigos tem me ajudado bastante a entender meu transtorno,moro em
    Pernambuco e fui diagnosticada com transtorno esquizotípico,sou
    readaptada da rede pública de ensino do estado e do município do
    Jaboatão dos Guararapes, antes até os 30 anos vivia “normalmente”
    saindo,tendo uma gama de amigos.Em decorrencia de um fato que ocorreu
    na escola onde presenciei, grupo de extermínio assassinando
    ex-alunos,desencadeou ou vamos dizer que o meu transtorno ficou mais
    perceptível a minha familia, desde então eles cuidam de mim, minhas
    irmãs, meu cunhado me levou a um tratamento chamado hospital dia,onde
    os familiares,participam de todo o procedimento e isto nos ajuda
    muito,mas é só sair dalí para o trabalho onde eu assumo que tomo
    medicamento e tenho um transtorno mental, fico a pensar se é
    perseguição, ou, mania de perseguição,sei que todos me exclui de tudo,
    quero muito que vc escreva algo em relação a este tipo de tratamento e
    também quanto ao comportamento dos colegas no trabalho, porque minha
    vida social e sexual foi, e está sendo, há uns 15 anos totalmente nula
    o incrível é eu não sinto desejo sexual nenhum.Além de só trabalhar 1
    mês no máximo por ano por não suportar,as discriminações, o médico
    sempre me atestado médico de 3 meses.

    Em duas palavras: ele existe.

    Se você tirou licença médica para tratamento de alguma patologia psiquiátrica muito provavelmente, com quase toda certeza você vai se deparar com o preconceito de seus colegas de trabalho.

    Apenas quem já passou pela experiência, ou seja, quem já foi ou é paciente pode te entender. Do contrário, são raras as pessoas que têm desenvolvimento para tratar um paciente psiquiátrico como uma pessoa como qualquer outra.

    Por isso que se prefere não comentar nada a respeito de licenças, de diagnósticos, de nada. Por isso que a preferência é pela aposentadoria ou mesmo a demissão para mudar daquele ambiente que foi “contaminado” pelo preconceito.

    Ser vítima de preconceito não é privilégio apenas dos pacientes psiquiátricos. Pacientes com doença crônicas e câncer também sofrem igualmente.

    Como combater isso?

    Não se pode enfiar bom senso e inteligência na cabeço dos outros, mas se pode ter posturas de gente saudável quando estamos saudáveis.

    Se a licença acabou. Acabou. Você está apta a trabalhar deve esquecer sua patologia. Não assuma postura de “coitadinho”. Não se queixe nem se exponha para quem é apenas “colega de trabalho” e não vai te respeitar depois.

    No trabalho tem-se que ter postura a mais profissional possível. Mais que os outros.

    No trabalho: ser profissional.

    Se não está se sentindo bem para trabalhar: não trabalhe.

    Só apareça para os outros no seu melhor. E talvez eles esqueçam que você tirou aquela licença…



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  • A Medicação Protege Mas Não Faz Milagre

    Filed under: Artigos | 01/29/2009 (2:22 pm) |

    Para termos saúde entram várias variáveis: nossa predisposição genética, nosso background social-familiar e nossa interação com o meio que nos cerca.

    Tudo influi para nos mantermos bem.

    Quem tem um transtorno como o Transtorno Bipolar fica mais vulnerável às variações do meio.

    A medicação estabiliza o humor e as crises psicóticas e protege a pessoa de estresses tanto internos quanto externos. Ampliando assim a faixa de tolerância de stress que o paciente suporta.

    Porém, a medicação é limitada. Quando o stress é muito grande, a pessoa pode entrar em crise mesmo medicada.

    É como o diabético que usa uma certa dose de insulina e que exagera um dia nos doces. Aquela dose que ele estava acostumado não é suficiente para aquela quantidade de açúcar naquele dia em especial.

    Então, temos vários mecanismos além da medicação para não se ter crises.

    Um deles é se expor ao mínimo ao stress. Procurar evitar situações que se sabe que lhe farão mal.

    Mas isso é impossível, fugir do stress para sempre.

    A outra saída é reconhecer as situações que fazem mal e se fortalecer contra elas, através de psicoterapia. Por isso que é tão importante que o bipolar faça terapia: para criar mecanismos de defesa contra stress.

    Porém, não se pode prever todas as situações de stress que se vai passar e eventualmente, pode-se entrar em crise.

    E daí, o que se faz?

    Se você perceber que não está bem, entre em contato com seu psiquiatra que ele ou ela vai lhe orientar na situação aguda.

    Geralmente os bipolares já tem uma medicação para ser usada em emergências e já fazem uso delas quando em stress, além da medicação diária normal.

    Bipolares em tratamento há muito tempo costumam saber como agir quando o stress ultrapassa sua capacidade de lidar com ele. Já sabem reconhecer quando tomar a medicação de “emergência”, e já sabem quando essa medicação de emergência não é suficiente e precisam entrar em contato com o psiquiatra.

    Ser bipolar é um processo constante de auto-conhecimento, de se conhecer os próprios limites e expandí-los através do fortalecimento de sua estrutura psicológica.



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  • Quando se está deprimido…

    Filed under: Artigos, Correspondências | 01/18/2009 (3:23 pm) |

    A grande diferença de quando você está deprimido para quando você não tem depressão é que quando você não tem depressão, você simplesmente quer fazer algo e faz.

    Quando se está deprimido você pensa quinhentas vezes antes de fazer qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, até a mais prosaica como ir buscar um copo de água ou escovar os dentes.

    Cada ação é pensada e avaliada se vale mesmo o esforço, porque é um esforço fazer qualquer coisa. E a conclusão geralmente é que não vale a pena fazer. E a gente acaba fazendo apenas o que somos obrigados por questões de vida ou morte praticamente.

    Quando não estamos deprimidos, de repente nos pegamos fazendo coisas, cada vez mais coisas. Nossa rotina fica mais rica. As ideias aparecem porque poderemos concretizá-las.

    Ninguém precisa viver em depressão. A depressão acontece em surtos e é tratável.

    Se seu episódio depressivo está demorando a passar cobre de seu psiquiatra uma melhora. Converse sobre a medicação, sobre estratégias de comportamento para ajudar porque elas são fundamentais também. Faça terapia e verifique se tem progressos na terapia. Porque tem que ter.

    Recebi um email que dizia que a pessoa estava em depressão há 4 anos e em tratamento. Inaceitável. Acredito que toda a estratégia de abordagem do caso tem que ser revista.

    Um deprimido crônico pode ter surtos dependendo dos estímulos do meio. Mas mesmo assim, deve ser feita toda uma prevenção desses surtos através do trabalho psicoterapeutico constante.



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  • A Importância da Avaliação Clínica

    Filed under: Artigos | 01/05/2009 (2:48 pm) |

    Todo paciente portador de transtornos de ordem psiquiátrica estão mais dispostos a desenvolver outras patologias tanto por predisposição como por efeitos da própria terapêutica.

    Já foi bem evidenciada a relação de Síndrome Metabólica com com algumas drogas psiquiátricas e também de Diabetes Melitus.

    Outra ocorrência observada são as alterações hormonais.

    Lembrando que qualquer modificação do equilíbrio interno do organismo reflete na neuroquímica cerebral, é aconselhado se fazer check ups regulares para pesquisar outras alterações orgânicas que podem piorar o quadro psiquiátrico e até mesmo ser a própria causa dele.

    Um hipotireoidismo não diagnosticado pode se passar por uma Depressão, por exemplo. Uma insuficiência de cortisol pode levar a crises psicóticas. Alterações de humor podem ser apenas reflexos de alterações hormonais em glândulas insuficientes ou hiperfuncionantes.

    Existe sim um preconceito muito grande a respeito dos sintomas psiquiátricos. E muitas vezes se esquecem que eles são gerados por alterações físicas orgânicas do corpo a nível não só cerebral.

    Por isso, é necessário e imperativo um check up próprio e completo para se descartar toda e qualquer alteração orgânica não cerebral como origem dos sintomas psiquiátricos.

    Procure um clínico geral de confiança para essa pesquisa e um especialista se necessário.



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  • A Busca do Equilíbrio – Parte 2 – O Sono

    Filed under: Artigos | 11/22/2008 (3:45 pm) |

    A primeira coisa afetada quando não estamos equilibrados é o sono.

    Antes mesmo de termos algum outro sintoma, nosso padrão de sono muda. Seja com sonhos diferentes, pesadelos, insônia, dormindo demais. Quando não estamos bem, o sono se modifica.

    E o inverso é verdadeiro: para ficarmos bem, temos que dormir bem.

    Cada pessoa tem uma necessidade diferente de horas de sono. Uns precisam de mais horas e outros de menos. Porém, cada um precisa dormir suas horas necessárias e no horário certo, com regularidade.

    A tolerância para aguentar abusos de falta de sono ou de sono de má qualidade também varia de pessoa para pessoa. 

    É fundamental ter um ambiente propício para o sono. Com conforto, tranquilidade, paz, silêncio e sem estímulos externos para de fato repousarmos.

    Nosso período de sono deve ser respeitado tanto quanto nosso período acordado. E não visto como uma perda de tempo. Pois é ele que vai nos dar boas condições de enfrentarmos os estímulos da vigília.

    Aqui, como o equilíbrio, ter um bom sono também é uma opção consciente e muitas vezes envolve abrir mão de outras coisas.

    Como uma dieta alimentar, temos que manter uma regularidade de sono bom, com horários, com qualidade de sono e deixar os excessos para ocasiões especiais.

    Devemos também observar nosso padrão de sono para perceber qualquer alteração nele indicando um problema em outra área, visto ser ele o primeiro indicativo de desequilíbrio.

    Aprendendo a conhecer nosso sono, respeitá-lo e tratar qualquer alteração em nossa vida assim que ela se apresente como alteração de padrão de sono nos manterá muito mais facilmente em equilíbrio.



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  • A Busca do Equilíbrio – Parte 1

    Filed under: Artigos | 11/22/2008 (3:21 pm) |

    Todos nós oscilamos em humor, em disposição, em alegrias, tristezas, vontades, sonhos, apetites, forças. Todas as pessoas sem exceção nunca são exatamente iguais o tempo todo porque estar vivo é exatamente um processo dinâmico de constante adaptação ao meio ambiente e ao próprio meio interno de nosso corpo e mente e a todos os estímulos que nos chegam e que são criados dentro de nós.

    Uma vez com um novo estímulo, nós reagimos e nos adaptamos a nova realidade do nosso ser somada a esse estímulo. Isso se chama homeostase.

    Cada pessoa tem maior ou menor facilidade de se manter em equilíbrio, ou seja, em estado de saúde, que é o bem estar físico, psíquico e social de cada um.

    O equilíbrio pode ser atingido? Sim, com certeza. Porém, ele é tão efêmero quanto um sopro e vai durar até o próximo estímulo chegar e precisar ser compensado. Ou seja, o equilíbrio é dinâmico como nossa vida. Não é algo que se é atingido como um fim, e sim, um meio. O equilíbrio é uma forma de se viver.

    É a melhor forma que cada um vai descobrir de se manter saudável.

    Assim, a busca pelo equilíbrio deveria estar entre as grandes prioridades da vida de alguém que preza sua própria vida. é um processo de aprendizado. De tentativa e erro. De experimentar o que serve ou não para cada um, descartando o que nos faz mal e incorporando como hábito o que nos mantém equilibrado e saudável.

    Estar equilibrado significa ter as melhores condições para absorver as mudanças do meio e as mudanças internas afetando minimamente nossa saúde como um todo.

    Optar pelo equilíbrio é uma escolha consciente e trabalhosa para qualquer pessoa. Para alguns ficar equilibrado dá mais trabalho que para outros, mas todos podem se beneficiar dessa escolha.



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