Transtorno Afetivo Bipolar

A Escolha

Filed under: Artigos | 03/18/2009 (2:55 pm) |

Ser bipolar não é fácil. Envolve muito sofrimento. Porém, quando a pessoa vai para o polo da mania, da euforia, o bem estar e a sensação de que tudo está ótimo e que a vida é maravilhosa e que ele consegue fazer tudo e que tudo vai dar certo muitas vezes compensam os períodos de depressão.

Ou seja, tem bipolar que não quer abrir mão da sensação de bem estar da euforia, da mania ou da hipomania.

Quando um bipolar se sente “bem”, no polo da mania, se sente muito bem mesmo. E o tratamento implica em parar de experimentar essa sensação falsa de bem estar. O indivíduo passa a ser uma “pessoa normal”, sem as características “especiais” que ele sente possuir.

O preço do equilíbrio é enfrentar a realidade de si mesmo.

Por isso a terapia é tão importante. Para ajudar a contextualizar a pessoa na realidade.

Embora a depressão seja o quadro mais frequente do Transtorno Bipolar, a mania ou a hipomania podem atrair pacientes a não se tratarem.

A grande escolha que o paciente tem que fazer é: vou abrir mão da falsa sensação de bem estar que eu tenho de vez em quando por sensações reais de bem estar que serão frutos de meus esforços?

Uma vida de ilusão e doença por uma vida real e equilibrada.

Eu já adianto que vale a pena abrir mão da mania e da hipomania. O equilíbrio conquistado e seus resultados concretos são recompensas reais que fazem muito bem para a pessoa em todos os níveis.



Posts Relacionados

  • No related posts

  • Sobre Parâmetros

    Filed under: Artigos | 02/21/2009 (2:04 pm) |

    Uma das situações mais complicadas para o indivíduo com Transtorno Afetivo Bipolar é se dar conta se está equilibrado ou não.

    Principalmente porque quando se está fora do equilíbrio, a percepção fica comprometida e o julgamento de sua própria situação pode ser bem difícil.

    Uma forma eficiente é ter parâmetros externos que avisam quando se está saindo do equilíbrio. 

    Parâmetros concretos que independem de julgamentos subjetivos. Dados concretos para se lidar, mensurar.

    Um dado concreto e indiscutível são as horas de sono. Quanto tempo se passa dormindo.

    Um aumento de horas de sono sugere depressão. Uma diminuição nas horas dormidas, sugere mania ou hipomania, por exemplo.

    Outro parâmetro é o peso. Mudanças do humor geralmente vêm acompanhadas de alterações do apetite e por conseguinte, do peso. Assim, monitorar o peso é uma forma indireta de se ter idéia do humor.

    Um parâmetro importante para os bipolares é a questão financeira. Aumento dos gastos, diminuição da renda, qualquer alteração da saúde financeira da pessoa geralmente é ligada com a oscilação do humor também.

    Nem sempre os bipolares têm com quem contar para ter um feedback de sua situação. 

    E é minha política a independência do indivíduo bipolar para que ele se conheça cada vez melhor para poder se cuidar e se tratar sem depender de terceiros.

    Reconhecer sua própria situação e tomar atitudes saudáveis é fundamental para o rápido restabelecimento desse equilíbrio tão frágil mas possível.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • Antidepressivo para bipolar?

    Filed under: Artigos | 02/19/2009 (3:51 pm) |

    Li por aí textos dizendo que bipolares não podem tomar antidepressivos, que estes não funcionam ou fazem mal.

    Não é bem assim.

    Sabemos que o Transtorno Afetivo Bipolar é um desequilíbrio químico cerebral onde os neurotransmissores estão fora de balanço. Os antidepressivos acertam o equilíbrio de alguns neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina. Assim, se o paciente tem um desequilíbrio da serotonina, por exemplo,está indicado o uso de antidepressivo que corrige isso.

    O perigo é o bipolar entrar em mania, o inverso da depressão. Por isso que o uso de antidepressivos deve ser feito de forma tão cuidadosa, para não jogar o indivíduo no outro extremo do espectro de humor.

    Como toda medicação, o uso deve ser bem criterioso e bem indicado.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • Preconceito no local de trabalho

    Filed under: Artigos, Correspondências, Depoimentos | 02/04/2009 (3:22 pm) |

    Seus artigos tem me ajudado bastante a entender meu transtorno,moro em
    Pernambuco e fui diagnosticada com transtorno esquizotípico,sou
    readaptada da rede pública de ensino do estado e do município do
    Jaboatão dos Guararapes, antes até os 30 anos vivia “normalmente”
    saindo,tendo uma gama de amigos.Em decorrencia de um fato que ocorreu
    na escola onde presenciei, grupo de extermínio assassinando
    ex-alunos,desencadeou ou vamos dizer que o meu transtorno ficou mais
    perceptível a minha familia, desde então eles cuidam de mim, minhas
    irmãs, meu cunhado me levou a um tratamento chamado hospital dia,onde
    os familiares,participam de todo o procedimento e isto nos ajuda
    muito,mas é só sair dalí para o trabalho onde eu assumo que tomo
    medicamento e tenho um transtorno mental, fico a pensar se é
    perseguição, ou, mania de perseguição,sei que todos me exclui de tudo,
    quero muito que vc escreva algo em relação a este tipo de tratamento e
    também quanto ao comportamento dos colegas no trabalho, porque minha
    vida social e sexual foi, e está sendo, há uns 15 anos totalmente nula
    o incrível é eu não sinto desejo sexual nenhum.Além de só trabalhar 1
    mês no máximo por ano por não suportar,as discriminações, o médico
    sempre me atestado médico de 3 meses.

    Em duas palavras: ele existe.

    Se você tirou licença médica para tratamento de alguma patologia psiquiátrica muito provavelmente, com quase toda certeza você vai se deparar com o preconceito de seus colegas de trabalho.

    Apenas quem já passou pela experiência, ou seja, quem já foi ou é paciente pode te entender. Do contrário, são raras as pessoas que têm desenvolvimento para tratar um paciente psiquiátrico como uma pessoa como qualquer outra.

    Por isso que se prefere não comentar nada a respeito de licenças, de diagnósticos, de nada. Por isso que a preferência é pela aposentadoria ou mesmo a demissão para mudar daquele ambiente que foi “contaminado” pelo preconceito.

    Ser vítima de preconceito não é privilégio apenas dos pacientes psiquiátricos. Pacientes com doença crônicas e câncer também sofrem igualmente.

    Como combater isso?

    Não se pode enfiar bom senso e inteligência na cabeço dos outros, mas se pode ter posturas de gente saudável quando estamos saudáveis.

    Se a licença acabou. Acabou. Você está apta a trabalhar deve esquecer sua patologia. Não assuma postura de “coitadinho”. Não se queixe nem se exponha para quem é apenas “colega de trabalho” e não vai te respeitar depois.

    No trabalho tem-se que ter postura a mais profissional possível. Mais que os outros.

    No trabalho: ser profissional.

    Se não está se sentindo bem para trabalhar: não trabalhe.

    Só apareça para os outros no seu melhor. E talvez eles esqueçam que você tirou aquela licença…



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • A Medicação Protege Mas Não Faz Milagre

    Filed under: Artigos | 01/29/2009 (2:22 pm) |

    Para termos saúde entram várias variáveis: nossa predisposição genética, nosso background social-familiar e nossa interação com o meio que nos cerca.

    Tudo influi para nos mantermos bem.

    Quem tem um transtorno como o Transtorno Bipolar fica mais vulnerável às variações do meio.

    A medicação estabiliza o humor e as crises psicóticas e protege a pessoa de estresses tanto internos quanto externos. Ampliando assim a faixa de tolerância de stress que o paciente suporta.

    Porém, a medicação é limitada. Quando o stress é muito grande, a pessoa pode entrar em crise mesmo medicada.

    É como o diabético que usa uma certa dose de insulina e que exagera um dia nos doces. Aquela dose que ele estava acostumado não é suficiente para aquela quantidade de açúcar naquele dia em especial.

    Então, temos vários mecanismos além da medicação para não se ter crises.

    Um deles é se expor ao mínimo ao stress. Procurar evitar situações que se sabe que lhe farão mal.

    Mas isso é impossível, fugir do stress para sempre.

    A outra saída é reconhecer as situações que fazem mal e se fortalecer contra elas, através de psicoterapia. Por isso que é tão importante que o bipolar faça terapia: para criar mecanismos de defesa contra stress.

    Porém, não se pode prever todas as situações de stress que se vai passar e eventualmente, pode-se entrar em crise.

    E daí, o que se faz?

    Se você perceber que não está bem, entre em contato com seu psiquiatra que ele ou ela vai lhe orientar na situação aguda.

    Geralmente os bipolares já tem uma medicação para ser usada em emergências e já fazem uso delas quando em stress, além da medicação diária normal.

    Bipolares em tratamento há muito tempo costumam saber como agir quando o stress ultrapassa sua capacidade de lidar com ele. Já sabem reconhecer quando tomar a medicação de “emergência”, e já sabem quando essa medicação de emergência não é suficiente e precisam entrar em contato com o psiquiatra.

    Ser bipolar é um processo constante de auto-conhecimento, de se conhecer os próprios limites e expandí-los através do fortalecimento de sua estrutura psicológica.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • Quando se está deprimido…

    Filed under: Artigos, Correspondências | 01/18/2009 (3:23 pm) |

    A grande diferença de quando você está deprimido para quando você não tem depressão é que quando você não tem depressão, você simplesmente quer fazer algo e faz.

    Quando se está deprimido você pensa quinhentas vezes antes de fazer qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, até a mais prosaica como ir buscar um copo de água ou escovar os dentes.

    Cada ação é pensada e avaliada se vale mesmo o esforço, porque é um esforço fazer qualquer coisa. E a conclusão geralmente é que não vale a pena fazer. E a gente acaba fazendo apenas o que somos obrigados por questões de vida ou morte praticamente.

    Quando não estamos deprimidos, de repente nos pegamos fazendo coisas, cada vez mais coisas. Nossa rotina fica mais rica. As ideias aparecem porque poderemos concretizá-las.

    Ninguém precisa viver em depressão. A depressão acontece em surtos e é tratável.

    Se seu episódio depressivo está demorando a passar cobre de seu psiquiatra uma melhora. Converse sobre a medicação, sobre estratégias de comportamento para ajudar porque elas são fundamentais também. Faça terapia e verifique se tem progressos na terapia. Porque tem que ter.

    Recebi um email que dizia que a pessoa estava em depressão há 4 anos e em tratamento. Inaceitável. Acredito que toda a estratégia de abordagem do caso tem que ser revista.

    Um deprimido crônico pode ter surtos dependendo dos estímulos do meio. Mas mesmo assim, deve ser feita toda uma prevenção desses surtos através do trabalho psicoterapeutico constante.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • A Importância da Avaliação Clínica

    Filed under: Artigos | 01/05/2009 (2:48 pm) |

    Todo paciente portador de transtornos de ordem psiquiátrica estão mais dispostos a desenvolver outras patologias tanto por predisposição como por efeitos da própria terapêutica.

    Já foi bem evidenciada a relação de Síndrome Metabólica com com algumas drogas psiquiátricas e também de Diabetes Melitus.

    Outra ocorrência observada são as alterações hormonais.

    Lembrando que qualquer modificação do equilíbrio interno do organismo reflete na neuroquímica cerebral, é aconselhado se fazer check ups regulares para pesquisar outras alterações orgânicas que podem piorar o quadro psiquiátrico e até mesmo ser a própria causa dele.

    Um hipotireoidismo não diagnosticado pode se passar por uma Depressão, por exemplo. Uma insuficiência de cortisol pode levar a crises psicóticas. Alterações de humor podem ser apenas reflexos de alterações hormonais em glândulas insuficientes ou hiperfuncionantes.

    Existe sim um preconceito muito grande a respeito dos sintomas psiquiátricos. E muitas vezes se esquecem que eles são gerados por alterações físicas orgânicas do corpo a nível não só cerebral.

    Por isso, é necessário e imperativo um check up próprio e completo para se descartar toda e qualquer alteração orgânica não cerebral como origem dos sintomas psiquiátricos.

    Procure um clínico geral de confiança para essa pesquisa e um especialista se necessário.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • A Busca do Equilíbrio - Parte 2 - O Sono

    Filed under: Artigos | 11/22/2008 (3:45 pm) |

    A primeira coisa afetada quando não estamos equilibrados é o sono.

    Antes mesmo de termos algum outro sintoma, nosso padrão de sono muda. Seja com sonhos diferentes, pesadelos, insônia, dormindo demais. Quando não estamos bem, o sono se modifica.

    E o inverso é verdadeiro: para ficarmos bem, temos que dormir bem.

    Cada pessoa tem uma necessidade diferente de horas de sono. Uns precisam de mais horas e outros de menos. Porém, cada um precisa dormir suas horas necessárias e no horário certo, com regularidade.

    A tolerância para aguentar abusos de falta de sono ou de sono de má qualidade também varia de pessoa para pessoa. 

    É fundamental ter um ambiente propício para o sono. Com conforto, tranquilidade, paz, silêncio e sem estímulos externos para de fato repousarmos.

    Nosso período de sono deve ser respeitado tanto quanto nosso período acordado. E não visto como uma perda de tempo. Pois é ele que vai nos dar boas condições de enfrentarmos os estímulos da vigília.

    Aqui, como o equilíbrio, ter um bom sono também é uma opção consciente e muitas vezes envolve abrir mão de outras coisas.

    Como uma dieta alimentar, temos que manter uma regularidade de sono bom, com horários, com qualidade de sono e deixar os excessos para ocasiões especiais.

    Devemos também observar nosso padrão de sono para perceber qualquer alteração nele indicando um problema em outra área, visto ser ele o primeiro indicativo de desequilíbrio.

    Aprendendo a conhecer nosso sono, respeitá-lo e tratar qualquer alteração em nossa vida assim que ela se apresente como alteração de padrão de sono nos manterá muito mais facilmente em equilíbrio.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • A Busca do Equilíbrio - Parte 1

    Filed under: Artigos | 11/22/2008 (3:21 pm) |

    Todos nós oscilamos em humor, em disposição, em alegrias, tristezas, vontades, sonhos, apetites, forças. Todas as pessoas sem exceção nunca são exatamente iguais o tempo todo porque estar vivo é exatamente um processo dinâmico de constante adaptação ao meio ambiente e ao próprio meio interno de nosso corpo e mente e a todos os estímulos que nos chegam e que são criados dentro de nós.

    Uma vez com um novo estímulo, nós reagimos e nos adaptamos a nova realidade do nosso ser somada a esse estímulo. Isso se chama homeostase.

    Cada pessoa tem maior ou menor facilidade de se manter em equilíbrio, ou seja, em estado de saúde, que é o bem estar físico, psíquico e social de cada um.

    O equilíbrio pode ser atingido? Sim, com certeza. Porém, ele é tão efêmero quanto um sopro e vai durar até o próximo estímulo chegar e precisar ser compensado. Ou seja, o equilíbrio é dinâmico como nossa vida. Não é algo que se é atingido como um fim, e sim, um meio. O equilíbrio é uma forma de se viver.

    É a melhor forma que cada um vai descobrir de se manter saudável.

    Assim, a busca pelo equilíbrio deveria estar entre as grandes prioridades da vida de alguém que preza sua própria vida. é um processo de aprendizado. De tentativa e erro. De experimentar o que serve ou não para cada um, descartando o que nos faz mal e incorporando como hábito o que nos mantém equilibrado e saudável.

    Estar equilibrado significa ter as melhores condições para absorver as mudanças do meio e as mudanças internas afetando minimamente nossa saúde como um todo.

    Optar pelo equilíbrio é uma escolha consciente e trabalhosa para qualquer pessoa. Para alguns ficar equilibrado dá mais trabalho que para outros, mas todos podem se beneficiar dessa escolha.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • Tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar - Uma Visão Geral

    Filed under: Artigos | 10/26/2008 (12:52 pm) |

    Não há dúvidas que o principal do tratamento é direcionado pelo psiquiatra e envolve medicação específica para estabilização do humor e tratamento da psicose. Porém, o TAB é uma patologia que atinge toda a economia da vida do paciente. Desde seu metabolismo até suas relações com o meio em que vive.

    Então, o tratatamento ideal é o que chamamos de multidisciplinar, ou seja, envolve profissionais de diversas áreas e diversas especialidades.

    Sempre partindo do psiquiatra, claro.

    Um profissional que é fundamental para acompanhar o indivíduo bipolar é o psicoterapeuta. Este vai trabalhar a parte psicológica para minimizar as crises e as oscilações de humor que tiverem origem em fatores externos, sociais e circunstanciais, aumentando a tolerância e criando mecanismos de defesa e ajudando a adaptação do paciente à condição de bipolar.

    Outro profissional indispensável é o médico clínico ou endocrinologista que vai acompanhar as condições físicas e complicações inerentes ao TAB, tais como ganho de peso, doenças cardio-vasculares, endocrinológicas, metabólicas, etc..

    Havendo necessidade, deve-se procurar outros especialistas tais como cardiologistas, pneumologistas, neurologistas, de acordo com as complicações que aparecerem. E quem indicará esses profissionais será o psiquiatra ou o médico clínico.

    Pelo fato do ganho de peso ser muito comum, a procura por nutrólogos e nutricionistas é frequente também.

    Assim como por educadores físicos e personal trainers. Atividade física faz parte do tratamento do TAB.

    Pouco se fala na ajuda legal de um advogado. Eu recomendo que se inteire de seus direitos e situação nas leis de nosso país.

    Às vezes, dependendo da situação, é necessário o envolvimento de assistente social e grupos de apoio tanto para o paciente como para os familiares e amigos.

    A idéia desse artigo é que o Transtorno Afetivo Bipolar é uma doença crônica, que envolve todos os setores de vida da pessoa e seus circundantes e o tratamento vai além de tomar remédios para o resto da vida. É necessário uma mudança de vida, uma nova forma de encarar a vida para se alcançar uma excelente qualidade de vida, que é possível alcançar sim.

    O período inicial entre o diagnóstico e a estabilização com a medicação certa e o esquema de vida adequado pode variar e até demorar um pouco. Mas, passando essa fase de ajustes, é possível ter uma vida plena, muito satisfatória e de ótima qualidade.

    Vale a pena o esforço do começo para colher uma boa vida depois.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • A Expectativa de Vida no Bipolar

    Filed under: Artigos | 10/18/2008 (7:04 pm) |

    Estudos mostram que os pacientes com graves transtornos psiquiátricos como Transtorno Afetivo Bipolar, Esquizofrenia e Depressão têm uma expectativa de vida de 25 anos a menos que a população sem essas patologias.

    Além do risco de suicídio, importante causa de morte, o fator mais marcante são as Doenças Cardio-Vasculares que acompanham essas doenças. A causa dessa comorbidade não é conhecida embora medicações favoreçam ainda mais o aparecimento de complicações cardio-vasculares, diabetes melitus e síndrome metabólica.

    Também é observado que há menos cuidados a esses pacientes pois a atenção muitas vezes é apenas voltada para o transtorno psiquiátrico, se esquecendo do quadro clínico geral.

    Tais pacientes psiquiátricos não só devem ter um acompanhamento clínico constante como serem vigiados e testados regularmente a procura dessas complicações cardio-vasculares, endocrinológicas e metabólicas pois estão mais propensos a elas que a população sem transtornos graves psiquiátricos.

    Para mais informações leia este texto.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • Emagrecimento e Tonus da Pele

    Filed under: Artigos | 10/12/2008 (5:58 pm) |

    Este é um texto publicado primeiramente no Blog Chá de Hortelã.

    Como os pacientes em tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar geralmente apresentam ganho de peso e depois têm que lidar com emagrecimento e o controle de alimentação e peso para o resto de suas vidas, achei próprio reporduzir o post abaixo.

    “emagreci muito e como já tenho 45 anos fiquei com algumas zonas do corpo em que há peles.
    Preciso de um creme ou vários para a barriga, pernas e peito. Será que encontrarei algum eficaz?”

    Recebi este comentário há pouco sobre um post que fala de cuidados da pele.

    Hoje a tecnologia de cremes e tratamentos estéticos está muito desenvolvida. E a cirurgia plástica também, para remoção do excesso de pele que sobra após dietas radicais.

    Porém, eu gostaria de escrever aqui sobre o processo de perder peso para que não sobre pele que tenha que ser removida cirurgicamente depois. Ou que esta sobra seja minimizada ao máximo.

    Qual o segredo?

    Paciência.

    Exatamente.

    Nosso corpo é um organismo fabuloso que tem uma capacidade absurda de adaptação. Incluo aí nossa pele e nossos músculos.

    O que temos que fazer é dar o tempo necessário para que nosso corpo consiga se adaptar às mudanças que estamos imprimindo a ele.

    Se emagrecemos muito rápido, a pele não vai ter tempo de se adaptar ao novo contorno do corpo. E vai sobrar. A musculatura que sustenta a pele e os órgãos não vai conseguir se recompor na velocidade em que a capa de gordura vai sumindo. Ou seja, o recheio de gordura desaparece mas a cobertura não encolhe na velocidade rápida o bastante e vai continuar grande e sobrará dobras.

    Assim, o recheio deve ir diminuindo devagar para dar tempo do entorno ir diminuindo na mesma velocidade. O continente ir acompanhando o conteúdo.

    Quando somos jovens, nossa pele e músculos, o corpo em geral tem uma capacidade de adaptação muito mais rápida. E essa adaptação vai se lentificando conforme envelhecemos, até uma hora que não conseguimos mais nos adaptar.

    Também há casos que ultrapassamos a capacidade de adaptação de nosso corpo, como por exemplo quando esticamos demais nossa pele e rompemos a estrutura que a suporta e ela não consegue se refazer mesmo dando o tempo necessário para isso. Daí sim, entra a cirurgia plástica para remoção de sobras.

    Resumindo então, se o indivíduo está obeso e quer perder peso. Deve perder o excesso devagar e ao mesmo tempo usar de mecanismos como a musculação e cremes próprios para ir tonificando sua estrutura para que sua pele mantenha o tonus correto e acompanhe a perda de peso. Muitas vezes, usa-se do artifício de perder uma quantidade X de peso. Estacionar num patamar por algum tempo, meses se necessário, para o corpo se adaptar, e só então perder mais peso. E ir assim por diante.

    O processo de emagrecimento deve ser encarado como um objetivo a longo prazo e permanente.



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • A Psicose no Bipolar

    Filed under: Artigos | 10/03/2008 (7:30 pm) |

    Até recentemente, o nome do Transtorno Afetivo Bipolar era Psicose Maníaco-Depressiva. Como parte dos pacientes que apresentam Transtorno Bipolar não têm quadro de psicose, o nome foi mudado e a denominação Psicose foi retirada.

    No entanto, para se entender o Transtorno Afetivo Bipolar temos que voltar no tempo e conhecer os primórdios da Psiquiatria, quando a psicose, ou a manifestação de doença mental mais séria, a chamada “loucura”, foi dividida em dois grandes grupos: a esquizofrenia e a psicose maníaco-depressiva.

    Essas eram as doenças mentais mais sérias. E ainda são, as Psicoses Maiores.

    Os sinais e sintomas da psicose tanto na esquizofrenia como no transtorno de humor bipolar podem ser os mesmo.

    O nome do Transtorno Afetivo Bipolar foi mudado porque o conteúdo psicótico seria secundário à manifestação da doença afetiva, enquanto na esquizofrenia a psicose é a principal manifestação. Porém, estudos recentes, sugerem que tanto a psicose da esquizofrenia como a psicose do Transtono Afetivo Bipolar teriam uma mesma base genética pertencendo assim, a um mesmo espectro e não duas ocorrências completamente independentes.

    Outra coisa que corrobora este fato é que o tratamento para os sintomas psicóticos em todas as suas formas é o mesmo em qualquer das patologias.

    Isso posto, para se conhecer bem o transtorno Afetico Bipolar, é necessário se estar ciente que é uma patologia grave que pertence a um espectro de manifestações psicóticas. No mesmo espectro que está a esquizofrenia, e que o paciente bipolar pode manifestar sintomas psicóticos ou não segundo teorias atuais.

    Felizmente, os casos graves de Transtorno Afetivo Bipolar não são a maioria.

    O texto abaixo, mostra a confusão entre o diagnóstico de esquizofrenia e Transtorno Afetivo Bipolar Grave para ilustrar o que acabei de expor:

    Transtorno do Humor Grave com Sintomas Psicóticos (1)

    A maioria dos autores da atualidade reconhece a freqüência elevada dos Transtornos do Humor Grave com Sintomas Psicóticos com início na adolescência. Em 1921 Kraepelim já reconhecia que 3% dos casos de episódios maníacos ocorriam antes dos 15 anos e, 20% deles antes dos 20 anos.
    Esta observação, questionada durante algum tempo, se reafirmou na atualidade por alguns estudos publicados, os quais comprovam que os Transtornos do Humor aparecem no 20 a 30% dos casos em pacientes menores de 20 anos (Ballenger, 1982). Nesses trabalhos, a idade media de início dos quadros de humor na adolescência (Transtorno do Humor Grave com Sintomas Psicóticos) fica em torno dos 13,9 e 15,3 anos.
    A CID-10 e o DSM IV coincidem na comprovação de que os sintomas psicóticos podem, aparecer no transcurso de um episódio depressivo maior ou de um episódio maníaco com maior freqüência na adolescência que na idade adulta.
    Os sintomas psicóticos mais freqüentes nos Transtornos do Humor com manifestações psicóticas são as idéias delirantes, seguidas pelas alucinações auditivas e, por último, por transtornos do pensamento, tais como, perda de associações, incoerência, pobreza do conteúdo, neologismos, perseveração, bloqueios e ecolalia (Abrams, 1981; Ballenger, 1982; Cortos, 1998).
    Por causa desses fenômenos psicóticos, jamais podemos considerar, como se fazia antigamente, que as alucinações auditivas sejam patognomônicas da Esquizofrenia. Na adolescência elas são mais comuns em Transtornos Bipolares graves.
    Isso explica a freqüência dos erros de diagnósticos de Esquizofrenia em pacientes que sofrem Transtornos Bipolares. E tais erros são tão comuns que, de acordo com o estudo de Werry (idem), a metade dos pacientes bipolares com idade entre 13 e 17 anos foram considerados erroneamente esquizofrênicos depois de reavaliação realizada durante 5 anos de seguimento.
    Em adultos esses enganos de diagnóstico são menos freqüentes, embora também ocorram entre essas duas patologias. Pelo estudo de Joice (1982), 72% dos pacientes maníacos cujo transtorno havia começado antes dos 20 anos tiveram um primeiro diagnóstico de Esquizofrenia, contra 24% dos pacientes maníacos cujos transtornos haviam começado depois dos 30 anos.

    Na falta de uma descrição no DSM-IV e no CID-10 para os Episódios Psicóticos no Transtorno Afetivo Bipolar, sugiro lerem o capítulo referente à esquizofrenia. Aqui.

    Para saber mais, sugiro ler este artigo também, sobre os estudos genéticos e o espectro que mencionei.

    (1)Ballone, GJ - Psicose na Adolescência - in. PsiqWeb, Internet, disponível em revisto em 2003



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • Quem Não Tem Padrinho, Morre Pagão - O Tratamento Com drogas Caras

    Filed under: Artigos | 10/02/2008 (3:45 pm) |

    Há duas formas de ver a Saúde no Brasil: no global e no individual. Cada caso é um caso.

    No global, sabemos que o governo fornece algumas medicações gratuítas desde que você passe por toda a burocracia que ele exige. Desde se inscrever no Posto de Saúde perto de sua casa, esperar passar por um especialista que é uma das coisas mais difíceis que há e que pode demorar meses, preencher todas as qualificações para o uso da droga em questão e por fim, entrar no orçamento de recebimento do remédio. Uma vez inscrito, você de tempos em tempos pega seu remédio de graça e faz seu tratamento.

    O processo é burocrático, chato, demorado, mas eu vi funcionar.

    Porém, certos tratamentos mais modernos podem estar defasados. Por exemplo, vamos tomar o caso do Topiramato no tratamento do Transtorno de Humor Bipolar.

    O SUS inclui o Topiramato em sua lista de medicações excepcionais, ou seja, você pode solicitar esse remédio gratuitamente e ter seu tratamento custeado pelo governo se passar pela burocracia que mencionei acima. Porém, o Topiramato é classificado como droga anti-convulsivante. E ainda não foi incluído como droga primária para o tratamento do transtorno bipolar pelos meio científicos, tendo sua indicação sendo ainda avaliada como estabilizador de humor.

    Como o governo só inclui em sua lista de remédios cuja comprovação de uso já tenha sido feita pelas meios científicos, o topiramato pode só estar disponível para epiléticos, não para bipolares. (Quando eu trabalhava no SUS era só para epiléticos mesmo.)

    Eu sei disso porque conversei na época pessoalmente com um dos responsáveis de Brasília do Ministério da Saúde e foi ele que me explicou o processo.

    Assim, só tinha acesso gratuíto ao Topiramato quem tinha no atestado o CID de Epilepsia. Como também, só tinha acesso a Ziprazidona, um anti-psicótico de última geração, quem tinha o CID de Esquizofrenia. (Confira mesmo assim em seu Posto de Saúde. Isso muda o tempo todo. E os documentos que achei na internet hoje podem estar desatualizados.)

    Por isso, o que conta no dia a dia, é a relação médico-paciente que se desenvolve no consultório. Tem que se pesar muito como tratar. Como escolher a medicação melhor no seu caso.

    Eu conheço casos de pacientes que mantém tratamentos com drogas inacessíveis economicamente apenas por meio de amostras grátis fornecidas pelos seus médicos. Também foi só questão de conversar.

    Tratamentos de doenças crônicas, qualquer uma, exige uma excelente relação médico-paciente. E é isso que se deve procurar em primeiro lugar: um bom médico. E vocês podem se surpreender pois existem bons médicos nos lugares mais incríveis!

    (Publicado originalmente no Chá de Hortelã.)



    Posts Relacionados

  • No related posts

  • Tratamento do Transtorno Bipolar de Humor E Ganho de Peso

    Filed under: Artigos | 10/02/2008 (3:30 pm) |

    Já que o Transtorno Bipolar de Humor[bb] está na moda. Gostaria de falar algumas palavrinhas que acho importante e que andei reparando.

    Tem bipolares que não se tratam porque o tratamento primeiramente e basicamente engorda. É um efeito dos medicamentos. Eles fazem a pessoa engordar. E quando o sujeito, que já está fudido por causa da doença começa a engordar, larga o tratamento. Porque não faltava mais nada. Só faltava ser gordo. Além de deprimido, maníaco e gordo. É de fuder.

    A taxa de abandono de tratamento por causa de engordar é por volta dos trinta por cento. Um terço dos pacientes não tomam medicação porque ela faz engordar. Sério isso. Muito sério. E eu tenho que concordar com essas pessoas. Porque está cheio de psiquiatras tacanhos que não se preocupam com este “pequeno” detalhe que a medicação faz mal à essas pessoas que ganham peso com ela. Ganhar peso tomando um remédio é um efeito colateral indesejável. Não é para acontecer. E se um médico não se importa com isso, acha natural você ficar obeso ao se tratar de uma patologia, pense em mudar de médico ou converse seriamente com ele. Quem sabe ele vê a luz.

    Este estudo americano entrevistou 500 psiquiatras que tratam pacientes com Transtorno Bipolar do Tipo 1 e felizmente, 94% deles está preocupado com os riscos a saúde adivindos da Síndrome Metabólica, resultante da obesidade causada pela medicação. Diabetes e Dislipidemias são outras complicações que ocorrem por causa desses remédios e do ganho de peso.

    Antigamente não havia opções de tratamento para o paciente bipolar ou PMD. Era um só medicamento, o lítio. Mas agora existem opções que não alteram ou alteram menos o peso.

    Hoje em dia não se justifica manter um tratamento no qual o paciente permanece acima do peso saudável. E eu vejo por aí psiquiatras que insistem em desconsiderar o ganho de peso ao escolher a melhor combinação de medicamentos ao tratar o Transtorno Bipolar de Humor. Isso é inadmissível.

    Não se tratar porque o tratamento engorda deve ficar no passado. É uma queixa válida dos pacientes e correta do ponto de vista médico.

    (Publicado originalmente no Chá de Hortelã.)



    Posts Relacionados

  • No related posts

  •