Transtorno Afetivo Bipolar

Tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar – Uma Visão Geral

Filed under: Artigos | 10/26/2008 (12:52 pm) |

Não há dúvidas que o principal do tratamento é direcionado pelo psiquiatra e envolve medicação específica para estabilização do humor e tratamento da psicose. Porém, o TAB é uma patologia que atinge toda a economia da vida do paciente. Desde seu metabolismo até suas relações com o meio em que vive.

Então, o tratatamento ideal é o que chamamos de multidisciplinar, ou seja, envolve profissionais de diversas áreas e diversas especialidades.

Sempre partindo do psiquiatra, claro.

Um profissional que é fundamental para acompanhar o indivíduo bipolar é o psicoterapeuta. Este vai trabalhar a parte psicológica para minimizar as crises e as oscilações de humor que tiverem origem em fatores externos, sociais e circunstanciais, aumentando a tolerância e criando mecanismos de defesa e ajudando a adaptação do paciente à condição de bipolar.

Outro profissional indispensável é o médico clínico ou endocrinologista que vai acompanhar as condições físicas e complicações inerentes ao TAB, tais como ganho de peso, doenças cardio-vasculares, endocrinológicas, metabólicas, etc..

Havendo necessidade, deve-se procurar outros especialistas tais como cardiologistas, pneumologistas, neurologistas, de acordo com as complicações que aparecerem. E quem indicará esses profissionais será o psiquiatra ou o médico clínico.

Pelo fato do ganho de peso ser muito comum, a procura por nutrólogos e nutricionistas é frequente também.

Assim como por educadores físicos e personal trainers. Atividade física faz parte do tratamento do TAB.

Pouco se fala na ajuda legal de um advogado. Eu recomendo que se inteire de seus direitos e situação nas leis de nosso país.

Às vezes, dependendo da situação, é necessário o envolvimento de assistente social e grupos de apoio tanto para o paciente como para os familiares e amigos.

A idéia desse artigo é que o Transtorno Afetivo Bipolar é uma doença crônica, que envolve todos os setores de vida da pessoa e seus circundantes e o tratamento vai além de tomar remédios para o resto da vida. É necessário uma mudança de vida, uma nova forma de encarar a vida para se alcançar uma excelente qualidade de vida, que é possível alcançar sim.

O período inicial entre o diagnóstico e a estabilização com a medicação certa e o esquema de vida adequado pode variar e até demorar um pouco. Mas, passando essa fase de ajustes, é possível ter uma vida plena, muito satisfatória e de ótima qualidade.

Vale a pena o esforço do começo para colher uma boa vida depois.



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  • A Expectativa de Vida no Bipolar

    Filed under: Artigos | 10/18/2008 (7:04 pm) |

    Estudos mostram que os pacientes com graves transtornos psiquiátricos como Transtorno Afetivo Bipolar, Esquizofrenia e Depressão têm uma expectativa de vida de 25 anos a menos que a população sem essas patologias.

    Além do risco de suicídio, importante causa de morte, o fator mais marcante são as Doenças Cardio-Vasculares que acompanham essas doenças. A causa dessa comorbidade não é conhecida embora medicações favoreçam ainda mais o aparecimento de complicações cardio-vasculares, diabetes melitus e síndrome metabólica.

    Também é observado que há menos cuidados a esses pacientes pois a atenção muitas vezes é apenas voltada para o transtorno psiquiátrico, se esquecendo do quadro clínico geral.

    Tais pacientes psiquiátricos não só devem ter um acompanhamento clínico constante como serem vigiados e testados regularmente a procura dessas complicações cardio-vasculares, endocrinológicas e metabólicas pois estão mais propensos a elas que a população sem transtornos graves psiquiátricos.

    Para mais informações leia este texto.



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  • Emagrecimento e Tonus da Pele

    Filed under: Artigos | 10/12/2008 (5:58 pm) |

    Este é um texto publicado primeiramente no Blog Chá de Hortelã.

    Como os pacientes em tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar geralmente apresentam ganho de peso e depois têm que lidar com emagrecimento e o controle de alimentação e peso para o resto de suas vidas, achei próprio reporduzir o post abaixo.

    “emagreci muito e como já tenho 45 anos fiquei com algumas zonas do corpo em que há peles.
    Preciso de um creme ou vários para a barriga, pernas e peito. Será que encontrarei algum eficaz?”

    Recebi este comentário há pouco sobre um post que fala de cuidados da pele.

    Hoje a tecnologia de cremes e tratamentos estéticos está muito desenvolvida. E a cirurgia plástica também, para remoção do excesso de pele que sobra após dietas radicais.

    Porém, eu gostaria de escrever aqui sobre o processo de perder peso para que não sobre pele que tenha que ser removida cirurgicamente depois. Ou que esta sobra seja minimizada ao máximo.

    Qual o segredo?

    Paciência.

    Exatamente.

    Nosso corpo é um organismo fabuloso que tem uma capacidade absurda de adaptação. Incluo aí nossa pele e nossos músculos.

    O que temos que fazer é dar o tempo necessário para que nosso corpo consiga se adaptar às mudanças que estamos imprimindo a ele.

    Se emagrecemos muito rápido, a pele não vai ter tempo de se adaptar ao novo contorno do corpo. E vai sobrar. A musculatura que sustenta a pele e os órgãos não vai conseguir se recompor na velocidade em que a capa de gordura vai sumindo. Ou seja, o recheio de gordura desaparece mas a cobertura não encolhe na velocidade rápida o bastante e vai continuar grande e sobrará dobras.

    Assim, o recheio deve ir diminuindo devagar para dar tempo do entorno ir diminuindo na mesma velocidade. O continente ir acompanhando o conteúdo.

    Quando somos jovens, nossa pele e músculos, o corpo em geral tem uma capacidade de adaptação muito mais rápida. E essa adaptação vai se lentificando conforme envelhecemos, até uma hora que não conseguimos mais nos adaptar.

    Também há casos que ultrapassamos a capacidade de adaptação de nosso corpo, como por exemplo quando esticamos demais nossa pele e rompemos a estrutura que a suporta e ela não consegue se refazer mesmo dando o tempo necessário para isso. Daí sim, entra a cirurgia plástica para remoção de sobras.

    Resumindo então, se o indivíduo está obeso e quer perder peso. Deve perder o excesso devagar e ao mesmo tempo usar de mecanismos como a musculação e cremes próprios para ir tonificando sua estrutura para que sua pele mantenha o tonus correto e acompanhe a perda de peso. Muitas vezes, usa-se do artifício de perder uma quantidade X de peso. Estacionar num patamar por algum tempo, meses se necessário, para o corpo se adaptar, e só então perder mais peso. E ir assim por diante.

    O processo de emagrecimento deve ser encarado como um objetivo a longo prazo e permanente.



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  • A Psicose no Bipolar

    Filed under: Artigos | 10/03/2008 (7:30 pm) |

    Até recentemente, o nome do Transtorno Afetivo Bipolar era Psicose Maníaco-Depressiva. Como parte dos pacientes que apresentam Transtorno Bipolar não têm quadro de psicose, o nome foi mudado e a denominação Psicose foi retirada.

    No entanto, para se entender o Transtorno Afetivo Bipolar temos que voltar no tempo e conhecer os primórdios da Psiquiatria, quando a psicose, ou a manifestação de doença mental mais séria, a chamada “loucura”, foi dividida em dois grandes grupos: a esquizofrenia e a psicose maníaco-depressiva.

    Essas eram as doenças mentais mais sérias. E ainda são, as Psicoses Maiores.

    Os sinais e sintomas da psicose tanto na esquizofrenia como no transtorno de humor bipolar podem ser os mesmo.

    O nome do Transtorno Afetivo Bipolar foi mudado porque o conteúdo psicótico seria secundário à manifestação da doença afetiva, enquanto na esquizofrenia a psicose é a principal manifestação. Porém, estudos recentes, sugerem que tanto a psicose da esquizofrenia como a psicose do Transtono Afetivo Bipolar teriam uma mesma base genética pertencendo assim, a um mesmo espectro e não duas ocorrências completamente independentes.

    Outra coisa que corrobora este fato é que o tratamento para os sintomas psicóticos em todas as suas formas é o mesmo em qualquer das patologias.

    Isso posto, para se conhecer bem o transtorno Afetico Bipolar, é necessário se estar ciente que é uma patologia grave que pertence a um espectro de manifestações psicóticas. No mesmo espectro que está a esquizofrenia, e que o paciente bipolar pode manifestar sintomas psicóticos ou não segundo teorias atuais.

    Felizmente, os casos graves de Transtorno Afetivo Bipolar não são a maioria.

    O texto abaixo, mostra a confusão entre o diagnóstico de esquizofrenia e Transtorno Afetivo Bipolar Grave para ilustrar o que acabei de expor:

    Transtorno do Humor Grave com Sintomas Psicóticos (1)

    A maioria dos autores da atualidade reconhece a freqüência elevada dos Transtornos do Humor Grave com Sintomas Psicóticos com início na adolescência. Em 1921 Kraepelim já reconhecia que 3% dos casos de episódios maníacos ocorriam antes dos 15 anos e, 20% deles antes dos 20 anos.
    Esta observação, questionada durante algum tempo, se reafirmou na atualidade por alguns estudos publicados, os quais comprovam que os Transtornos do Humor aparecem no 20 a 30% dos casos em pacientes menores de 20 anos (Ballenger, 1982). Nesses trabalhos, a idade media de início dos quadros de humor na adolescência (Transtorno do Humor Grave com Sintomas Psicóticos) fica em torno dos 13,9 e 15,3 anos.
    A CID-10 e o DSM IV coincidem na comprovação de que os sintomas psicóticos podem, aparecer no transcurso de um episódio depressivo maior ou de um episódio maníaco com maior freqüência na adolescência que na idade adulta.
    Os sintomas psicóticos mais freqüentes nos Transtornos do Humor com manifestações psicóticas são as idéias delirantes, seguidas pelas alucinações auditivas e, por último, por transtornos do pensamento, tais como, perda de associações, incoerência, pobreza do conteúdo, neologismos, perseveração, bloqueios e ecolalia (Abrams, 1981; Ballenger, 1982; Cortos, 1998).
    Por causa desses fenômenos psicóticos, jamais podemos considerar, como se fazia antigamente, que as alucinações auditivas sejam patognomônicas da Esquizofrenia. Na adolescência elas são mais comuns em Transtornos Bipolares graves.
    Isso explica a freqüência dos erros de diagnósticos de Esquizofrenia em pacientes que sofrem Transtornos Bipolares. E tais erros são tão comuns que, de acordo com o estudo de Werry (idem), a metade dos pacientes bipolares com idade entre 13 e 17 anos foram considerados erroneamente esquizofrênicos depois de reavaliação realizada durante 5 anos de seguimento.
    Em adultos esses enganos de diagnóstico são menos freqüentes, embora também ocorram entre essas duas patologias. Pelo estudo de Joice (1982), 72% dos pacientes maníacos cujo transtorno havia começado antes dos 20 anos tiveram um primeiro diagnóstico de Esquizofrenia, contra 24% dos pacientes maníacos cujos transtornos haviam começado depois dos 30 anos.

    Na falta de uma descrição no DSM-IV e no CID-10 para os Episódios Psicóticos no Transtorno Afetivo Bipolar, sugiro lerem o capítulo referente à esquizofrenia. Aqui.

    Para saber mais, sugiro ler este artigo também, sobre os estudos genéticos e o espectro que mencionei.

    (1)Ballone, GJ – Psicose na Adolescência – in. PsiqWeb, Internet, disponível em revisto em 2003



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  • Quem Não Tem Padrinho, Morre Pagão – O Tratamento Com drogas Caras

    Filed under: Artigos | 10/02/2008 (3:45 pm) |

    Há duas formas de ver a Saúde no Brasil: no global e no individual. Cada caso é um caso.

    No global, sabemos que o governo fornece algumas medicações gratuítas desde que você passe por toda a burocracia que ele exige. Desde se inscrever no Posto de Saúde perto de sua casa, esperar passar por um especialista que é uma das coisas mais difíceis que há e que pode demorar meses, preencher todas as qualificações para o uso da droga em questão e por fim, entrar no orçamento de recebimento do remédio. Uma vez inscrito, você de tempos em tempos pega seu remédio de graça e faz seu tratamento.

    O processo é burocrático, chato, demorado, mas eu vi funcionar.

    Porém, certos tratamentos mais modernos podem estar defasados. Por exemplo, vamos tomar o caso do Topiramato no tratamento do Transtorno de Humor Bipolar.

    O SUS inclui o Topiramato em sua lista de medicações excepcionais, ou seja, você pode solicitar esse remédio gratuitamente e ter seu tratamento custeado pelo governo se passar pela burocracia que mencionei acima. Porém, o Topiramato é classificado como droga anti-convulsivante. E ainda não foi incluído como droga primária para o tratamento do transtorno bipolar pelos meio científicos, tendo sua indicação sendo ainda avaliada como estabilizador de humor.

    Como o governo só inclui em sua lista de remédios cuja comprovação de uso já tenha sido feita pelas meios científicos, o topiramato pode só estar disponível para epiléticos, não para bipolares. (Quando eu trabalhava no SUS era só para epiléticos mesmo.)

    Eu sei disso porque conversei na época pessoalmente com um dos responsáveis de Brasília do Ministério da Saúde e foi ele que me explicou o processo.

    Assim, só tinha acesso gratuíto ao Topiramato quem tinha no atestado o CID de Epilepsia. Como também, só tinha acesso a Ziprazidona, um anti-psicótico de última geração, quem tinha o CID de Esquizofrenia. (Confira mesmo assim em seu Posto de Saúde. Isso muda o tempo todo. E os documentos que achei na internet hoje podem estar desatualizados.)

    Por isso, o que conta no dia a dia, é a relação médico-paciente que se desenvolve no consultório. Tem que se pesar muito como tratar. Como escolher a medicação melhor no seu caso.

    Eu conheço casos de pacientes que mantém tratamentos com drogas inacessíveis economicamente apenas por meio de amostras grátis fornecidas pelos seus médicos. Também foi só questão de conversar.

    Tratamentos de doenças crônicas, qualquer uma, exige uma excelente relação médico-paciente. E é isso que se deve procurar em primeiro lugar: um bom médico. E vocês podem se surpreender pois existem bons médicos nos lugares mais incríveis!

    (Publicado originalmente no Chá de Hortelã.)



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  • Tratamento do Transtorno Bipolar de Humor E Ganho de Peso

    Filed under: Artigos | 10/02/2008 (3:30 pm) |

    Já que o Transtorno Bipolar de Humor[bb] está na moda. Gostaria de falar algumas palavrinhas que acho importante e que andei reparando.

    Tem bipolares que não se tratam porque o tratamento primeiramente e basicamente engorda. É um efeito dos medicamentos. Eles fazem a pessoa engordar. E quando o sujeito, que já está fudido por causa da doença começa a engordar, larga o tratamento. Porque não faltava mais nada. Só faltava ser gordo. Além de deprimido, maníaco e gordo. É de fuder.

    A taxa de abandono de tratamento por causa de engordar é por volta dos trinta por cento. Um terço dos pacientes não tomam medicação porque ela faz engordar. Sério isso. Muito sério. E eu tenho que concordar com essas pessoas. Porque está cheio de psiquiatras tacanhos que não se preocupam com este “pequeno” detalhe que a medicação faz mal à essas pessoas que ganham peso com ela. Ganhar peso tomando um remédio é um efeito colateral indesejável. Não é para acontecer. E se um médico não se importa com isso, acha natural você ficar obeso ao se tratar de uma patologia, pense em mudar de médico ou converse seriamente com ele. Quem sabe ele vê a luz.

    Este estudo americano entrevistou 500 psiquiatras que tratam pacientes com Transtorno Bipolar do Tipo 1 e felizmente, 94% deles está preocupado com os riscos a saúde adivindos da Síndrome Metabólica, resultante da obesidade causada pela medicação. Diabetes e Dislipidemias são outras complicações que ocorrem por causa desses remédios e do ganho de peso.

    Antigamente não havia opções de tratamento para o paciente bipolar ou PMD. Era um só medicamento, o lítio. Mas agora existem opções que não alteram ou alteram menos o peso.

    Hoje em dia não se justifica manter um tratamento no qual o paciente permanece acima do peso saudável. E eu vejo por aí psiquiatras que insistem em desconsiderar o ganho de peso ao escolher a melhor combinação de medicamentos ao tratar o Transtorno Bipolar de Humor. Isso é inadmissível.

    Não se tratar porque o tratamento engorda deve ficar no passado. É uma queixa válida dos pacientes e correta do ponto de vista médico.

    (Publicado originalmente no Chá de Hortelã.)



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