Transtorno Afetivo Bipolar

Bipolar x Parkinson X Alzheimer

Filed under: Correspondências | 02/12/2009 (7:26 pm) |

“Boa noite, Liliana:
Que bom que és blogueira! Não sei, se é tua área.
Mas, qual a probabilidade de uma pessoa filho, de pais portadores de Mal de Parkinson e Alzeimmer, desenvolverem a doença?
Li artigo sobre Transtorno Afetivo Bipolar? Têm sincronicidade?

Abraços”

Fiz uma pesquisa no Medscape.com com as variáveis : Bipolar X Parkinson X Alzheimer e não houve nenhum resultado.

Assim, não posso dizer se um filho de portadores de Parkinson e Alzheimer têm mais chances de desenvolver Transtorno Bipolar.

Porém, visto que já se sabe das origens genéticas das 3 patologias, filhos de bipolares têm mais chances de serem bipolares, filhos de parkinsonianos têm mais chances de desenvolverem parkinson e o mesmo se aplica a Alzheimer. Tudo depende se os filhos herdaram os genes dos pais.



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  • Esquizofrenia X Transtorno Afetivo Bipolar

    Filed under: Correspondências, Depoimentos | 02/09/2009 (12:20 pm) |

    Olá Liliana
    Sou adnirador do seu blog…
    Primeiro, qual a diferença entre Transtorno Bipolar e esquizofrenia?

    Tenho acompanhado através de leituras esse blog, .
    Fui casado durante 17 anos, ( desse casamento tivemos dois filhos, e o mais velho hoje com 26 anos tem transtorno bipolar ( ou escrizofrenia ) não sei o certo. Esse disturbio se apresentou quando ele tinha 18 anos e dai pra cá não tive mais paz.
    Para entender melhor, a minha Ex esposa abandonou o lar e viajou para outro estado, isso quando os filhos tinham 14 e 15 anos, (eu terminei de criar os filhos sozinho, ainda hoje moro com os dois filhos e uma auxiliar do lar) depois de muito tempo e pelo próprio histórico da familia dela percebemos que isso é uma doença hereditária, genetica.
    Desde a época da primeira crise até hoje, já foi internado umas 4 ou cinco vezes, no inicio começou tomando Holdol,, depois risperidona com rivotril pra dormir e hoje ele toma o Zyprexa( Remedio caro ) mas consigo pegar através de um programa do governo.
    Conforme relatos de pessoas de vários foruns que ando lendo pessoas com essas caracteristicas tem muitas dificuldades. Ele não consegue estudar, tenta mas não consegue ( eu fico com pena )… Já tentou a faculdade duas vezes mas no segundo semestre desiste…
    Sei também que se a pessoa tomar o medicamento diariamente pode ter uma vida normal, isso eu percebo quando ele toma o madicamento com regularidade.
    Ele tem um ponto positivo, é um rapaz que frequenta o centro espirita e gosta muito de ler alancardec, Hamatis e vários outros livros relacioado a espiritualidade…
    Sabemos que esse tipo de disturbio precisa ser tratato a parte física e a espiritual, e ele sabe disso também mas, por outro lado tem muita resistencia ao medicamento pois esse medicamento contribui muito para engordar, ele já aumentou mais de dez Kg.
    Alguem sabe, existe alguma forma de continuar tomando esse medicamento e evitar que engorde? existe alguma forma que evite engordar? pois quando ele passa alguns dias sem tomar o comportamento logo muda.
    Ele já me agrediu, e quando não toma O medicamento se torna uma pessoa agressiva….
    Eu já não aguento mais!!!
    Confesso que já tive vontade até de abreviar a minha Vida.
    essa semana 02/02/2009, foi necessário recolhe-lo em uma clinica psiquiatra, mas não aceita, diz que o colocamos lá com inveja dele, da sabedoria e dos poderes que ele tem..

    Grato
    Wilson[bb]

    Caro Wilson,

    Recomendo a leitura desse artigo sobre esquizofrenia.

    A tendência hoje é considerar tanto a esquizofrenia como o TAB numa mesma linha de transtornos psicóticos. A diferença fundamental é que o bipolar não perderia totalmente o contato com a realidade, isso falando grosseiramente.

    No caso do bipolar em mania, as patologias se parecem muito realmente. Vide os delírios de seu filho. E o tratamento é com praticamente os mesmos anti-psicóticos.

    Como você pode reparar, o tratamento costuma engordar. Esse é um dos efeitos colaterais indesejados e que deve ser levado em consideração a longo prazo.

    A curto prazo, em plena crise, primeiro se medica. Tira-se da crise e depois, para se achar a medicação de manutenção é que se deve levar em consideração o ganho de peso. Para isso existe uma variedade de opções de medicação e se escolhe a que tem melhor efeito psiquiátrico com menor efeito colateral indesejado. Mas isso requer tempo e experimentar medicações diferentes, o que demora e deve ser feito lentamente. O paciente deve ter muita paciência e entender que é por um período de tempo que ele ficará acima do peso. Depois, com a medicação correta e estabilizado, poderá perder os quilos extras. O apoio familiar para a aderência ao tratamento é fundamental. Devemos passar esperanças que ele vai ficar bem e que mesmo engordando no começo não deve parar a medicação.

    Porém, na minha opinião, não se deve ficar satisfeito com medicação que engorda a longo prazo na manutenção. Esse fator deve ser levado em conta ao se escolher os remédios de manutenção. O paciente deve ter a esperança e a certeza que vai emagrecer.

    Outro ponto importante que me chamou a atenção é que você mencionou que você já pensou em “abreviar sua vida”. Isso é muito sério. Isso parece depressão e sugiro que procure ajuda profissional para acompanhá-lo. Os parentes e amigos próximos de pacientes psiquiátricos sofrem pressões muito grandes e podem desenvolver transtornos também. Por favor, fale com um psiquiatra. Você não deve aguentar tudo sozinho.

    Boa sorte pra vocês!



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  • Preconceito no local de trabalho

    Filed under: Artigos, Correspondências, Depoimentos | 02/04/2009 (3:22 pm) |

    Seus artigos tem me ajudado bastante a entender meu transtorno,moro em
    Pernambuco e fui diagnosticada com transtorno esquizotípico,sou
    readaptada da rede pública de ensino do estado e do município do
    Jaboatão dos Guararapes, antes até os 30 anos vivia “normalmente”
    saindo,tendo uma gama de amigos.Em decorrencia de um fato que ocorreu
    na escola onde presenciei, grupo de extermínio assassinando
    ex-alunos,desencadeou ou vamos dizer que o meu transtorno ficou mais
    perceptível a minha familia, desde então eles cuidam de mim, minhas
    irmãs, meu cunhado me levou a um tratamento chamado hospital dia,onde
    os familiares,participam de todo o procedimento e isto nos ajuda
    muito,mas é só sair dalí para o trabalho onde eu assumo que tomo
    medicamento e tenho um transtorno mental, fico a pensar se é
    perseguição, ou, mania de perseguição,sei que todos me exclui de tudo,
    quero muito que vc escreva algo em relação a este tipo de tratamento e
    também quanto ao comportamento dos colegas no trabalho, porque minha
    vida social e sexual foi, e está sendo, há uns 15 anos totalmente nula
    o incrível é eu não sinto desejo sexual nenhum.Além de só trabalhar 1
    mês no máximo por ano por não suportar,as discriminações, o médico
    sempre me atestado médico de 3 meses.

    Em duas palavras: ele existe.

    Se você tirou licença médica para tratamento de alguma patologia psiquiátrica muito provavelmente, com quase toda certeza você vai se deparar com o preconceito de seus colegas de trabalho.

    Apenas quem já passou pela experiência, ou seja, quem já foi ou é paciente pode te entender. Do contrário, são raras as pessoas que têm desenvolvimento para tratar um paciente psiquiátrico como uma pessoa como qualquer outra.

    Por isso que se prefere não comentar nada a respeito de licenças, de diagnósticos, de nada. Por isso que a preferência é pela aposentadoria ou mesmo a demissão para mudar daquele ambiente que foi “contaminado” pelo preconceito.

    Ser vítima de preconceito não é privilégio apenas dos pacientes psiquiátricos. Pacientes com doença crônicas e câncer também sofrem igualmente.

    Como combater isso?

    Não se pode enfiar bom senso e inteligência na cabeço dos outros, mas se pode ter posturas de gente saudável quando estamos saudáveis.

    Se a licença acabou. Acabou. Você está apta a trabalhar deve esquecer sua patologia. Não assuma postura de “coitadinho”. Não se queixe nem se exponha para quem é apenas “colega de trabalho” e não vai te respeitar depois.

    No trabalho tem-se que ter postura a mais profissional possível. Mais que os outros.

    No trabalho: ser profissional.

    Se não está se sentindo bem para trabalhar: não trabalhe.

    Só apareça para os outros no seu melhor. E talvez eles esqueçam que você tirou aquela licença…



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  • Quando se está deprimido…

    Filed under: Artigos, Correspondências | 01/18/2009 (3:23 pm) |

    A grande diferença de quando você está deprimido para quando você não tem depressão é que quando você não tem depressão, você simplesmente quer fazer algo e faz.

    Quando se está deprimido você pensa quinhentas vezes antes de fazer qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, até a mais prosaica como ir buscar um copo de água ou escovar os dentes.

    Cada ação é pensada e avaliada se vale mesmo o esforço, porque é um esforço fazer qualquer coisa. E a conclusão geralmente é que não vale a pena fazer. E a gente acaba fazendo apenas o que somos obrigados por questões de vida ou morte praticamente.

    Quando não estamos deprimidos, de repente nos pegamos fazendo coisas, cada vez mais coisas. Nossa rotina fica mais rica. As ideias aparecem porque poderemos concretizá-las.

    Ninguém precisa viver em depressão. A depressão acontece em surtos e é tratável.

    Se seu episódio depressivo está demorando a passar cobre de seu psiquiatra uma melhora. Converse sobre a medicação, sobre estratégias de comportamento para ajudar porque elas são fundamentais também. Faça terapia e verifique se tem progressos na terapia. Porque tem que ter.

    Recebi um email que dizia que a pessoa estava em depressão há 4 anos e em tratamento. Inaceitável. Acredito que toda a estratégia de abordagem do caso tem que ser revista.

    Um deprimido crônico pode ter surtos dependendo dos estímulos do meio. Mas mesmo assim, deve ser feita toda uma prevenção desses surtos através do trabalho psicoterapeutico constante.



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  • Dúvida Como Agir. Meu diagnóstico está certo?

    Filed under: Correspondências | 01/05/2009 (4:14 pm) |

    Dra. Liliana, meu nome é J. , tenho 41 anos, separada com dois filhos pré adolescentes. Atualmente estou afastada do meu cargo na policia civil por fazer tratamento de esquizofrenia e depressão.   Ambas as doenças controladas por medicamentos, mas percebi que não consigo me encontrar mesmo assim.
    Faço planos, tenho ideias, e de repente tudo aquilo que imaginei, idealizei desaparece, como um sopro. fico sem chão. Faz tempo que percebi que tudo que começo não termino, e isso me entristece muito. Nem as amizades consigo manter, e já faz um bom tempo que me afastei das que tinha.  No incio, parece legal, me envolvo, depois tudo parece chato, sem sal, fico perdida e acabo perdendo contato com as pessoas. 
    Este ano, já inicie vários projetos, e num estálo desisto? perco a vontade. em uma de minhas internações conheci uma paciente que disse que sentia isso, e tratava com lítio, mas que parava com o tratamento sempre que subia o peso na balança. Disse que o medicamento a engordava muito, aumentava o seu apetite. 
    Dra. Liliana, pode ser o mesmo problema que o dela? 
    Estou preocupada, pois desde os 33 anos que apresentei problemas psiquiatricos, e agora mais esse. O pior que sinto que está aumentando as crises. Tento me controlar, evito amizades. E agora, quando sinto vontade de alguma coisa, me seguro, até que logo ela passa. Fico muito triste com isso tudo, mas não consigo mesmo me encontrar. Não quero mais tomar medicamentos, será que há possibilidade de controle se me manter assim evitando o que sei que não vai perdurar (amizades, projetos, sonhos, etc.). Dra. tem momentos que me sinto tão só, que penso em sumir, desaparecer, que não vou conseguir criar  meus filhos. Fora a necessidade de me restringir das pessoas, fico muito irritada, agressiva, comigo mesma. Sinto raiva de sentir tudo isso, e mais raiva ainda de não chegar a lugar nenhum. Oriente-me o que fazer. obrigada, J.

    Minha resposta ao email:

    Olá J.,

    Sinto muito por seu caso. Muito chato tudo isso, não?
    Eu não posso dar consultas pela internet mas tentarei te passar minha opinião.
    A primeira coisa que você precisa é ter um bom psiquiatra de confiança que faça o diagnóstico correto do que você tem.
    As doenças podem ser muito parecidas e serem mal diagnosticas. E o tratamento pode variar de uma para outra.
    Então, o primeiro passo é procurar ou conversar bem com o psiquiatra e ver esse diagnóstico.
    O segundo passo é fazer terapia.
    Toda pessoa que tem doença crônica de qualquer tipo necessita de uma ajuda externa para lidar com os problemas comportamentais do dia a dia e da própria doença. Tem sintomas que os remédios ajudam, mas tem outros que apenas com técnicas de terapia e resolvendo conflitos internos psicológicos é que melhoramos. Então, o segundo passo é ter um bom terapeuta para te acompanhar e dar esse suporte.
    Pelo que você escreveu, você não está segura nem convencida de seu diagnóstico ou tratamento. E eu acho que para o tratamento dar certo é preciso ter certeza disso e você merece um bom diagnóstico e acompanhamento.
    Um último conselho que recomendo é sempre procurar um médico clínico para fazer um check up geral, principalmente do perfil de hormônios porque as doenças psiquiátricas pioram com alterações hormonais e podem ser causa e consequência desses. E como você está piorando, vale a pena avaliar.
    Espero ter ajudado em algo visto que estou tão restrita.
    Boa sorte e tudo de bom,
    Liliana



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