Transtorno Afetivo Bipolar

Lítio

Filed under: Depoimentos | 07/11/2010 (3:10 pm) |

“O lítio mudou minha vida.

A palavra que eu associo a ele é LUCIDEZ.

Nunca fui tão lúcida.

Porém, engordei 12 quilos com ele.

Mas eu não quero abrir mão dessa lucidez que me faz ver o mundo de uma forma completamente diferente. Tudo limpo e claro.

Ele deu fome. E diminuiu minha capacidade de me mexer. Não consigo fazer exercícios. Estou mais tranquila e não tenho mais a agitação de antes que me fazia correr até 8 km por dia.

A fome vem mais à noite. Depois da segunda dose.

Tentei diminuir essa segunda dose mas isso compromete meu equilibrio. Acho que estou tomando exatamente o suficiente para me manter lúcida.

A saída é passar fome e simplesmente não comer tudo que dá vontade.

Vou ver o que acontece.”



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  • Esquizofrenia X Transtorno Afetivo Bipolar

    Filed under: Correspondências, Depoimentos | 02/09/2009 (12:20 pm) |

    Olá Liliana
    Sou adnirador do seu blog…
    Primeiro, qual a diferença entre Transtorno Bipolar e esquizofrenia?

    Tenho acompanhado através de leituras esse blog, .
    Fui casado durante 17 anos, ( desse casamento tivemos dois filhos, e o mais velho hoje com 26 anos tem transtorno bipolar ( ou escrizofrenia ) não sei o certo. Esse disturbio se apresentou quando ele tinha 18 anos e dai pra cá não tive mais paz.
    Para entender melhor, a minha Ex esposa abandonou o lar e viajou para outro estado, isso quando os filhos tinham 14 e 15 anos, (eu terminei de criar os filhos sozinho, ainda hoje moro com os dois filhos e uma auxiliar do lar) depois de muito tempo e pelo próprio histórico da familia dela percebemos que isso é uma doença hereditária, genetica.
    Desde a época da primeira crise até hoje, já foi internado umas 4 ou cinco vezes, no inicio começou tomando Holdol,, depois risperidona com rivotril pra dormir e hoje ele toma o Zyprexa( Remedio caro ) mas consigo pegar através de um programa do governo.
    Conforme relatos de pessoas de vários foruns que ando lendo pessoas com essas caracteristicas tem muitas dificuldades. Ele não consegue estudar, tenta mas não consegue ( eu fico com pena )… Já tentou a faculdade duas vezes mas no segundo semestre desiste…
    Sei também que se a pessoa tomar o medicamento diariamente pode ter uma vida normal, isso eu percebo quando ele toma o madicamento com regularidade.
    Ele tem um ponto positivo, é um rapaz que frequenta o centro espirita e gosta muito de ler alancardec, Hamatis e vários outros livros relacioado a espiritualidade…
    Sabemos que esse tipo de disturbio precisa ser tratato a parte física e a espiritual, e ele sabe disso também mas, por outro lado tem muita resistencia ao medicamento pois esse medicamento contribui muito para engordar, ele já aumentou mais de dez Kg.
    Alguem sabe, existe alguma forma de continuar tomando esse medicamento e evitar que engorde? existe alguma forma que evite engordar? pois quando ele passa alguns dias sem tomar o comportamento logo muda.
    Ele já me agrediu, e quando não toma O medicamento se torna uma pessoa agressiva….
    Eu já não aguento mais!!!
    Confesso que já tive vontade até de abreviar a minha Vida.
    essa semana 02/02/2009, foi necessário recolhe-lo em uma clinica psiquiatra, mas não aceita, diz que o colocamos lá com inveja dele, da sabedoria e dos poderes que ele tem..

    Grato
    Wilson[bb]

    Caro Wilson,

    Recomendo a leitura desse artigo sobre esquizofrenia.

    A tendência hoje é considerar tanto a esquizofrenia como o TAB numa mesma linha de transtornos psicóticos. A diferença fundamental é que o bipolar não perderia totalmente o contato com a realidade, isso falando grosseiramente.

    No caso do bipolar em mania, as patologias se parecem muito realmente. Vide os delírios de seu filho. E o tratamento é com praticamente os mesmos anti-psicóticos.

    Como você pode reparar, o tratamento costuma engordar. Esse é um dos efeitos colaterais indesejados e que deve ser levado em consideração a longo prazo.

    A curto prazo, em plena crise, primeiro se medica. Tira-se da crise e depois, para se achar a medicação de manutenção é que se deve levar em consideração o ganho de peso. Para isso existe uma variedade de opções de medicação e se escolhe a que tem melhor efeito psiquiátrico com menor efeito colateral indesejado. Mas isso requer tempo e experimentar medicações diferentes, o que demora e deve ser feito lentamente. O paciente deve ter muita paciência e entender que é por um período de tempo que ele ficará acima do peso. Depois, com a medicação correta e estabilizado, poderá perder os quilos extras. O apoio familiar para a aderência ao tratamento é fundamental. Devemos passar esperanças que ele vai ficar bem e que mesmo engordando no começo não deve parar a medicação.

    Porém, na minha opinião, não se deve ficar satisfeito com medicação que engorda a longo prazo na manutenção. Esse fator deve ser levado em conta ao se escolher os remédios de manutenção. O paciente deve ter a esperança e a certeza que vai emagrecer.

    Outro ponto importante que me chamou a atenção é que você mencionou que você já pensou em “abreviar sua vida”. Isso é muito sério. Isso parece depressão e sugiro que procure ajuda profissional para acompanhá-lo. Os parentes e amigos próximos de pacientes psiquiátricos sofrem pressões muito grandes e podem desenvolver transtornos também. Por favor, fale com um psiquiatra. Você não deve aguentar tudo sozinho.

    Boa sorte pra vocês!



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  • Preconceito no local de trabalho

    Filed under: Artigos, Correspondências, Depoimentos | 02/04/2009 (3:22 pm) |

    Seus artigos tem me ajudado bastante a entender meu transtorno,moro em
    Pernambuco e fui diagnosticada com transtorno esquizotípico,sou
    readaptada da rede pública de ensino do estado e do município do
    Jaboatão dos Guararapes, antes até os 30 anos vivia “normalmente”
    saindo,tendo uma gama de amigos.Em decorrencia de um fato que ocorreu
    na escola onde presenciei, grupo de extermínio assassinando
    ex-alunos,desencadeou ou vamos dizer que o meu transtorno ficou mais
    perceptível a minha familia, desde então eles cuidam de mim, minhas
    irmãs, meu cunhado me levou a um tratamento chamado hospital dia,onde
    os familiares,participam de todo o procedimento e isto nos ajuda
    muito,mas é só sair dalí para o trabalho onde eu assumo que tomo
    medicamento e tenho um transtorno mental, fico a pensar se é
    perseguição, ou, mania de perseguição,sei que todos me exclui de tudo,
    quero muito que vc escreva algo em relação a este tipo de tratamento e
    também quanto ao comportamento dos colegas no trabalho, porque minha
    vida social e sexual foi, e está sendo, há uns 15 anos totalmente nula
    o incrível é eu não sinto desejo sexual nenhum.Além de só trabalhar 1
    mês no máximo por ano por não suportar,as discriminações, o médico
    sempre me atestado médico de 3 meses.

    Em duas palavras: ele existe.

    Se você tirou licença médica para tratamento de alguma patologia psiquiátrica muito provavelmente, com quase toda certeza você vai se deparar com o preconceito de seus colegas de trabalho.

    Apenas quem já passou pela experiência, ou seja, quem já foi ou é paciente pode te entender. Do contrário, são raras as pessoas que têm desenvolvimento para tratar um paciente psiquiátrico como uma pessoa como qualquer outra.

    Por isso que se prefere não comentar nada a respeito de licenças, de diagnósticos, de nada. Por isso que a preferência é pela aposentadoria ou mesmo a demissão para mudar daquele ambiente que foi “contaminado” pelo preconceito.

    Ser vítima de preconceito não é privilégio apenas dos pacientes psiquiátricos. Pacientes com doença crônicas e câncer também sofrem igualmente.

    Como combater isso?

    Não se pode enfiar bom senso e inteligência na cabeço dos outros, mas se pode ter posturas de gente saudável quando estamos saudáveis.

    Se a licença acabou. Acabou. Você está apta a trabalhar deve esquecer sua patologia. Não assuma postura de “coitadinho”. Não se queixe nem se exponha para quem é apenas “colega de trabalho” e não vai te respeitar depois.

    No trabalho tem-se que ter postura a mais profissional possível. Mais que os outros.

    No trabalho: ser profissional.

    Se não está se sentindo bem para trabalhar: não trabalhe.

    Só apareça para os outros no seu melhor. E talvez eles esqueçam que você tirou aquela licença…



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  • Aceitação

    Filed under: Depoimentos | 01/21/2009 (1:24 pm) |

    “Uma das coisas mais importantes que aprendi em minha terapia foi aceitar minha loucura.

    E não foi só aceitar com um simples “sim”. 

    Foi me acolher enquanto louca em crise. Gostar de mim mesmo nos meus piores momentos. Ser gentil comigo mesma. Aceitar a loucura vir, e observá-la de minha consciência naquele lugarzinho separado da minha cabeça e ainda assim gostar daquele “eu” descontrolado e doente.

    Vou exemplificar.

    Um dia estava viajando e paramos num posto de estrada para um lanche.

    Eu não estava bem. Estava agressiva, irritável, falante, encrenqueira. Mas não conseguia controlar nada e meu “eu” saudável estava deslocado para um canto da minha mente observando aquela mulher doente e descontrolada se comportar de um jeito que eu desaprovava completamente.

    Meu “eu consciente” conseguiu perceber que eu estava em crise em plena lanchonete de beira de estrada. E em vez de me desesperar, me recriminar, brigar comigo mesma, fiquei com pena daquela parte minha tão doente e imaginei me abraçando aquela parte tão frágil e desesperada.

    Enquanto eu implicava com meu acompanhante e me irritava com o atendende da lanchonete por nada, eu pensava que eu não estava bem e “abraçava a mim mesma”, me acolhia. Passava a mão em minha cabeça doente imaginária e me acalmava.

    Repetia para mim mesma que eu reconhecia que eu não estava bem e que tudo bem não estar bem. Era temporário, eram as circunstâncias e que logo eu estaria bem de novo. Garantia para mim mesma que eu não ia me recriminar ou opor resistência. Apenas fiquei me observando com calma e o  resultado da minha aceitação foi imediato: eu fiquei calma e parei de interagir negativamente com o ambiente. Pedi para meu acompanhante me levar de volta para o carro. E o resto da viagem fiquei contemplativa sentindo a agradável sensação do vento no meu rosto juntamente com a sensação de amor por mim mesma. Acolhimento.

    Quando entramos numa crise de qualquer natureza, seja maníaca, depressiva ou psicótica, parte de nós tende a não gostar de nós mesmos, de nos recriminar, de nos odiar. Isso piora a crise, nos estressa mais. E é justamente o que não precisamos. Precisamos sim de amor, carinho, aceitação, entendimento. E esse amor, carinho, aceitação e entendimento deve vir primeiramente e principalmente de nós para nós.

    A lição mais importante é aprender a nos amar mesmo nos piores momentos. Pois daí, esses piores momentos não serão mais tão ruins.

    Ame-se sempre. Aceite-se sempre!”



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  • Depressão – depoimento

    Filed under: Depoimentos | 10/10/2008 (6:35 pm) |

    “Uma hora estou bem. Faço tudo que tenho que fazer. Estou distraído, trabalhando. De repente, do nada, acho que a vida é chata. Não tem graça nenhuma. Me dá uma preguiça danada. Fico pensando que eu não vou durar muito. Que eu vou morrer logo. Que eu vou morrer moço. Daqui a pouco. Que nada vale a pena. Que tudo é inútil. A sensação que eu vou morrer logo é tão forte que dá vontade de deitar e morrer de uma vez para tudo acabar. Mas eu sei que é a depressão falando. Essa depressão é um saco. Eu sei que é tudo da minha cabeça e é tudo invenção e não é real. Eu sei que já estou tomando meus remédios e eu tenho que esperar ela passar. Mas é um saco mesmo. Eu tenho que fingir que eu não estou pensando que eu estou morrendo.”



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  • Depoimento De Um Bipolar

    Filed under: Depoimentos | 10/02/2008 (3:41 pm) |

    O post mais acessado e comentado deste blog (Chá de Hortelã) é sobre “Tratamento do Distúrbio de Humor Bipolar E Ganho de Peso”. Nele, várias pessoas têm colocado suas experiências com a doença e com as medicações. São inúmeros depoimentos igualmente importantes e sofridos. Porém um se destacou e faço dele um post para todos vocês lerem.

    Eu não canso de dizer que esta é uma doença terrível, muito grave. Mata mesmo e a qualidade de vida é péssima. Não é brincadeira. Por isso que prefiro a denominação antiga de Psicose Maníaco-Depressiva.

    “Bom, eu tive indícios de minha doença aos 8 anos de idade, aos 11 anos tive os primeiros sintomas de depressão e das esquisitices. São muitos fatos que eu poderia relatar…

    Fui diagnosticado inicialmente como um possível esquizofrênico e só recentemente fui classificado bipolar. Desde a primeira consulta com um psiquiatra até o atual diagnóstico já passaram uns 10 anos, sendo que os primeiros sintomas começaram a mais de 20 anos.

    Tive vários problemas com esta doença, e das inúmeras insanidades/loucuras que eu sofri 5 delas me tiraram totalmente da realidade.

    Eu já tive delírios auditivos: conforme o pensamento que eu tinha eu ouvia um choro de bebê, ou o barulho de uma chibatada, ou de fogos, ou de sinos, e até ouvi pessoas rezando do lado de fora da casa, e também ouvi uma música celestial do tipo clássica.

    Já tive delírios olfativos: no surto eu sentia sempre um perfume que eu julgava sentir porque estava no Céu/Paraíso, um perfume muito agradável que eu nunca havia sentido, porém eu senti em 3 dos meus grandes surtos. O perfume era um termômetro, pois quando eu sinto o perfume é porque eu entrarei em crise.

    Uma vez eu apertei bem forte o pescoço da minha esposa e arrastei ela para fora de casa pois ela não queria atravessar o portão que nos levaria ao Paraíso…então tive que força-la a vir comigo…

    Penso que o que torna a doença a “da’moda” é que estão sendo mostradas pessoas que estão com uma boa situação financeira, no qual o escape da bipolaridade é gastar dinheiro com 3 carros num só lance, comprar uma coleção de livros, várias roupas, sexo deliberado, aventuras desproporcionais, etc. E ainda são citadas pessoas que tiveram sucesso intelectual e financeiro ou que eram gênios criativos e pessoas impar no seu modo de pensar. Todas essas pessoas podem ter tido essa doença, porém nem todas as pessoas que tem essa doença obtêm sucesso ou encaram a doença como se tivessem poderem especiais que a tornaram bem-sucedidas, pois muitas pessoas devem apenas sofrer com a BIPOLARIDADE.

    Quem não quer ser assim: gasta o que quer, faz sexo compulsivamente, cria obras de arte quando ta maluco, escreve romances e peças de teatro inimagináveis, tem aventuras em vários países, torna-se desinibido de uma hora para outra, etc…

    Uma vez assisti um documentário onde a pergunta era mais ou menos assim: – se você tivesse uma chave que desligasse a bipolaridade você a desligaria? Ou seja, você acabaria com todos os seus sintomas?

    Muitos responderam que gostavam de serem bipolares e que não gostariam de perder as “qualidades” de um bipolar.

    Gente, parabéns para todos os bipolares felizes e para as pessoas que gostariam de ter esta doença, vocês devem ser abençoados/superdotados.

    Pra mim não foi bem assim:
    - Já perdi 2 empregos (só não perdi 3 porque o meu primeiro emprego foi na empresa do meu irmão e ele esperou 6 meses até eu me recuperar do surto);
    - Fui internado umas 5 vezes no sanatório, quase morri fugindo da pombinha branca (carro do hospício) pois eu assustei um morador por invadir a sua casa e ele chamou os vizinhos que vieram com porretes e armas de fogo para me pegar;
    - Não faço sexo com minha esposa há milênios por causa da depressão;
    - Parei no ultimo ano da faculdade e já faz 3 anos que eu não tenho coragem de voltar e concluir o curso;
    - Uma vez fiz um empréstimo, mas não para ficar gastando atoa, mas sim para fugir da minha família que queria me internar e eu tinha planos de ajudar pessoas carentes do outro lado do rio, então eu ia pegar um barco e viajar 4 dias até o interior do Amazonas. A viagem foi interrompida porque o meu pai descobriu o hotel onde eu estava e me levaram para a internação.
    - E na depressão, quase tomei veneno enquanto estava trancado num banheiro.
    - Não posso ter religião ou me envolver em assuntos místicos. Mas ainda acredito em Deus. Quando era criança tive algumas experiências estranhas. Numa brincadeira, coloquei uma pirâmide na minha frente, sentei na posição de lótus e fiquei repetindo por uns 20 minutos: “cai lustre, cai lustre…” O lustre não caiu. Quando eu estava assistindo o Pica-pau, depois de 1 hora, já tinha até me esquecido da brincadeira, imagina o que aconteceu? O dito lustre caiu e se espatifou no chão (Será que eu ganhei na loto? Foi apenas sorte ou coincidência?). Também tive uma experiência com clarividência. É por essas e por outras que eu sou uma pessoa muito impressionada, pois tem coisas que não têm explicação. Resumindo, estes são assuntos que estão proibidos, não posso nem ler uma Bíblia.

    Bom, tenho muita coisa pra falar, fico indignado com quanto a máximas que definem a bipolaridade: “ela comprou 1000 pares de sapato, 3 carros”, “essa doença só dá em pessoas inteligentes e famosas”, “essa doença ta na moda”, etc…

    Daqui a pouco tem gente escrevendo nos classificados: procura-se Bipolar recém-formado, eufórico, que não se canse de trabalhar, maníaco por dinheiro e não conformista com a vida infeliz que leva.

    No meu caso eu poderia descartar o termo Bipolar por “loucamente-depressivo”.Não estou preocupado em colocar panos mornos na nomenclatura da doença.
    Também penso que há casos diferentes de bipolaridade que não são falados.
    Todas as entrevistas que vi na televisão, os psicólogos comentam que é uma doença totalmente controlável com medicamentos e que a pessoa pode ter uma vida plena tanto na vida social como no trabalho, etc…
    Pra mim não tem funcionado bem assim. Ja tomei outros medicamentos, porém tenho tomado o Lítio somente a 1 ano, recentemente tive 3 pequenas crises que poderiam ter sido no meu trabalho – ainda bem que estou desempregado. Numa destas “pequenas crises” tive muita vontade de bater na minha esposa, foi por um triz, estava muito violento, agitado por um problema simples. Mesmo com o Lítio ainda sinto depressão a mais de 3 meses. O meu médico não quer me dar antidepressivos porque acha que eu posso ir para o lado da mania/euforia ou sair fora da realidade.
    Uma vez perguntei indignado para o meu psiquiatra porque eu não melhorava da depressão e não parava de pensar em coisas malucas mesmo tomando os melhores medicamentos, e ele respondeu que os medicamentos não controlam os sentimentos nem os pensamentos, nem controlam a vida externa que nos influenciam, ou seja: estamos vivos e também temos que controlar os pensamentos, atitudes e ambientes em que vivemos. Os medicamentos são apenas uma parte do controle da doença.

    É muita coisa pra falar, então gente, penso que não é tão simples assim. Existem casos e casos de bipolaridade. O livro “Mentes inquietas” é apenas um conto de fadas. Uma matéria na revista Época do começo deste ano descreveu a doença de uma maneira bem divertida, o pior exemplo que a revista deu era que a pessoa em estado de euforia podia achar que era o Super-homem e tentar voar pela janela ou então gastar muito dinheiro. Só pode ser brincadeira.

    Quem viu os jornais recentemente acompanhou o caso de uma bipolar que andou com o carro na contramão por 5 quilômetros. Mais tarde, um programa de TV mostrou a ficha criminal da moça, eram vários metros de delitos (só uns 150). Num dos delitos a moça fez um escândalo porque queria que a lojista trocasse o seu óculos por um bem mais caro sem que ela tivesse que pagar a diferença. Coisas de um bipolar…”

    (Publicado originalmente no Chá de Hortelã.)

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