“Uma das coisas mais importantes que aprendi em minha terapia foi aceitar minha loucura.
E não foi só aceitar com um simples “sim”.
Foi me acolher enquanto louca em crise. Gostar de mim mesmo nos meus piores momentos. Ser gentil comigo mesma. Aceitar a loucura vir, e observá-la de minha consciência naquele lugarzinho separado da minha cabeça e ainda assim gostar daquele “eu” descontrolado e doente.
Vou exemplificar.
Um dia estava viajando e paramos num posto de estrada para um lanche.
Eu não estava bem. Estava agressiva, irritável, falante, encrenqueira. Mas não conseguia controlar nada e meu “eu” saudável estava deslocado para um canto da minha mente observando aquela mulher doente e descontrolada se comportar de um jeito que eu desaprovava completamente.
Meu “eu consciente” conseguiu perceber que eu estava em crise em plena lanchonete de beira de estrada. E em vez de me desesperar, me recriminar, brigar comigo mesma, fiquei com pena daquela parte minha tão doente e imaginei me abraçando aquela parte tão frágil e desesperada.
Enquanto eu implicava com meu acompanhante e me irritava com o atendende da lanchonete por nada, eu pensava que eu não estava bem e “abraçava a mim mesma”, me acolhia. Passava a mão em minha cabeça doente imaginária e me acalmava.
Repetia para mim mesma que eu reconhecia que eu não estava bem e que tudo bem não estar bem. Era temporário, eram as circunstâncias e que logo eu estaria bem de novo. Garantia para mim mesma que eu não ia me recriminar ou opor resistência. Apenas fiquei me observando com calma e o resultado da minha aceitação foi imediato: eu fiquei calma e parei de interagir negativamente com o ambiente. Pedi para meu acompanhante me levar de volta para o carro. E o resto da viagem fiquei contemplativa sentindo a agradável sensação do vento no meu rosto juntamente com a sensação de amor por mim mesma. Acolhimento.
Quando entramos numa crise de qualquer natureza, seja maníaca, depressiva ou psicótica, parte de nós tende a não gostar de nós mesmos, de nos recriminar, de nos odiar. Isso piora a crise, nos estressa mais. E é justamente o que não precisamos. Precisamos sim de amor, carinho, aceitação, entendimento. E esse amor, carinho, aceitação e entendimento deve vir primeiramente e principalmente de nós para nós.
A lição mais importante é aprender a nos amar mesmo nos piores momentos. Pois daí, esses piores momentos não serão mais tão ruins.
Ame-se sempre. Aceite-se sempre!”